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segunda-feira, 3 de maio de 2010

Uma banda + um estúdio + uma boa sacada = um bom videoclip

Uma coisa que sempre estranho são esses videoclips que querem ser curta-metragens. Talvez porque Gondry, Spike Jonze e companhia tenham chegado aos longas, agora todo estudante de cinema acha que o caminho para se chegar em Hollywood passa obrigatoriamente pelos clips. E então fazem um videoclip cheio de atores e situações dramáticas, a banda cantando no meio da ação, com figurino e maquiagem pensados como no cinema. Nada mais longe da realidade da banda, muitas vezes, e nada mais cansativo para se ver no Youtube, que é onde todo mundo vê videoclips hoje em dia (já que a MTV cada vez mais deixa o M de lado para ser só TV mesmo).

Assim como falávamos que os trailers (e chamadas televisivas em geral) são antes de tudo boas sacadas, acredito que o mesmo acontece com os videoclips. E boa parte dessas idéias bacanas tem a ver com montagem, truques de edição e composição de imagens (como no caso do próprio Gondry, por exemplo). Aí abaixo alguns exemplos de videoclips simples, gravados em estúdio, sem ser uma mega-produção, com excelentes sacadas (alguns deles já são até clássicos em videoclips!).

Primeiro a canadense Feist, com o seu maior hit 1234. Um grande estúdio, muitos dançarinos, a própria cantora, um plano-sequência com movimentos de câmera bem bacanas e um truque simples de máscaras, com excelente planejamento de toda a ação.



Segundo, os americanos Vampire Weekend, com a música A-Punk, do primeiro disco. Também um plano-sequência, dessa vez acelerado, com algumas situações no meio dele. Simples, chamativo e bem interessante.



Terceiro, os australianos Architecture in Helsinki com a sua Hold Music. Aqui vemos poucas e simples situações, manipuladas e bem ritmadas no processo de edição.



E por último, um que não tem nada de especial quanto à edição mas que também é bem bacana, tem a ver com esses outros por também ter sido gravado em um grande estúdio e tem um final bem interessante (aqui sim uma boa idéia). Outro dos Hot Chip, dessa vez para a música Boy From School. Clique aqui para vê-lo no Youtube.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Chroma, Storyboard, Movimentos de câmera e videoclips

Já que falávamos de Chroma Key, eis aqui uns exemplos interessantes de uso em videoclips. Em ótimos exercícios de metalinguagem, essas três bandas usam o vídeo para testar formatos, mostrar o truque do recorte do fundo sendo feito e, sem terem muito trabalho ou gastarem muito dinheiro, chegam a um resultado bacana e extremamente divertido.

No primeiro caso, uma genial aula de movimentos de câmeras e uso do storyboard com a banda inglesa The Futureheads, para a música The Beginning of the Twist.



No segundo, outro uso parecido, dessa vez com a música Over and Over dos Hot Chip (sempre bacanas nos videoclips). A letra da música vai de presente para vocês inclusive (é a versão que me deixam colocar aqui).



E por último, o malucão Herman Düne, com I Wish That I Could See You Soon. A idéia é parecer que o videoclip está inacabado. Mas não é bem mais legal assim? (Há no Youtube uma versão com os letterings e recorte feito. Interessante para ver como contraponto à esta, mas pelo visto a oficial é mesmo essa daí abaixo).



Em tempos de MTV, Avatares e 300s, é mais legal ser criativo e usar as mesmas coisas de outra forma já que a tal da "mágica" do Chroma Key não engana mais ninguém. Não acham?

segunda-feira, 26 de abril de 2010

A mágica do Chroma Key (e uma idéia sobre o "A Ilha do Medo", de Scorsese)

Sempre gostei de ver como muitos planos eram compostos na pós-produção, depois de serem filmados usando o Chroma Key (ou recorte do fundo azul ou verde, famoso também pelos VJs da MTV). O que antes ajudava a colocar o ator numa cena de ação, como em uma explosão, ou criava simplesmente o fundo para uma cena onde víamos um casal passear de carro, por exemplo, agora participa da filmagem de toda e qualquer cena em filmes como Avatar (2009) ou Capitão Sky e o Mundo de Amanhã (2004) -entre outros de ficção científica-; 300 (2006), Speed Racer (2008) ou Sincity (2005) -em que a idéia é se aproximar do tratamento visual da HQ ou do desenho animado-, entre muitos outros filmes.

O site CGSociety, em uma matéria, explica e ilustra de forma muito didática como foi feita a filmagem e a composição dos planos do filme A Troca (2008), de Clint Eastwood. Tendo que recriar a Los Angeles de 1928, muita coisa foi feita em pós-produção, mas segundo o site o desafio foi interessante já que a composição está em função da "emoção" e não da "explosão de dinamite". No filme eles buscaram algo intermediário entre a filmagem em locações e a de estúdio, usando o Chroma Key para dar mais profundidade e ilustrar melhor o caos que era L.A. na época, a então maior metrópole americana. Explicam que isso gerava um dinamismo melhor para as cenas, além de ficar com uma iluminação mais natural e portanto, mais verdadeira. Nos três quadros abaixo, vemos o ponto de partida e o resultado final, no filme. (No site há também um vídeo bem interessante - que não consigo colocar aqui-, que mostra rapidamente cada uma das camadas acopladas depois, na pós-produção, para outra cena).


Outro bom exemplo de possibilidades do uso do Chroma vemos no Reel da produtora americana Stargate, que trabalha muito com séries para TV. Aqui há estes exemplos de como sair de duas pessoas no fundo verde para um plano geral, com helicópteros, navios em chamas ou o que quer que você imagine.



Este final de semana vi o bom A ilha do Medo (2010), o último do Martin Scorsese. Gostei bastante do resultado e achei muito bacana como o diretor consegue misturar vários gêneros no filme: do policial ao thriller de suspense, com alguns elementos do terror, da ação ou do drama pscicológico. Mas em muitos momentos -como numa cena em que vemos Leonardo DiCaprio à beira de um penhasco; ou logo depois, conversando no carro com um dos policiais do centro psiquiátrico - me incomodei com a forma algo artificial em que a composição foi feita. Para os que viram o filme - e passado o desfeixo - pergunto: seria proposital, até porque alguns compararam elementos da construção do filme com o expressionista O Gabinete do Dr. Caligari (1920), de Robert Wiene? (Mais não falo, que é para não estragar nada para os que não viram).

Pros que viram, recomendo também a leitura de uma "sinopse mínima" feita no dia 14/03 por Zé Geraldo Couto, crítico da Folha, em que ele levanta algumas idéias interessantes relacionadas à este filme.