segunda-feira, 26 de maio de 2014
Uma leitura do que há sob a pele de Sob a Pele, de Jonathan Glazer
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Corta-e-cola recomenda: Enter the Void (2009). Dir.: Gaspar Noé
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
O melhor dos video-games com o melhor do cinema
sexta-feira, 31 de agosto de 2012
À procura de Kogonada? - por Domênica Mantel
Sounds of Aronofsky from kogonada on Vimeo.
Tarantino // From Below from kogonada on Vimeo.
Wes Anderson // From Above from kogonada on Vimeo.
Não comparo, de forma alguma, o trabalho de Kogonada ao de seus “homenageados”. O ponto aqui é o olhar atento, o estudo da linguagem, a sequência de cortes que nos direciona um mesmo caminho onde nenhum plano é gratuito.
Que venham outros videos… Que nós nos treinemos para, independente deles, passarmos a realmente… enxergar e que o/a Kogonada não se revele. Acabaria maculando o verdadeiro foco. :)
quinta-feira, 22 de dezembro de 2011
Parcerias com tiozinhos, para o bem e para o mal. (ou: sobre os melhores e piores de 2011)
sexta-feira, 23 de setembro de 2011
"Premonição 5": um novo clássico
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
A música do Noah and the Whale. Os filmes do Wes Anderson.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Impressão Digital (dos filmes) - por Domênica Mantel
Descobri o rapaz por meio do Brainstorm e ao pesquisar seus trabalhos notei que essa opção por informações altamente concentradas é uma marca em seus projetos. Exemplo disso é o “Movie Core”que traduz filmes em imagens “esculturais” como estas aqui de “Os Excêntricos Tenenbaums”:
Ou este clipe, digamos que minimalista, da música “Buddy Bradley” do Adam Green:
Poder de síntese não é pra qualquer um. Vale a pena conhecer o artista. Bora lá? http://www.fredericbrodbeck.de/
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Essa é a primeira contribuição de Domênica Mantel para o blog. Formada em cinema e roteirista em tempo integral, é também interessada por tudo o que acontece no mundo dos filmes e na televisão. Já destrinchou House (você pode ler textos caprichados sobre TODO e QUALQUER episódio da sétima temporada no blog Sobretv.net) e mantém outras divagações no blog Tudo Fundido (também trocadilheiro, olha só). Vale a visita. Siga também em: @Dodomlyns
segunda-feira, 4 de julho de 2011
O filme do Gainsbourg, Joann Sfar e porquê os cartunistas um dia revolucionarão o cinema
Pois é com maestria que Joann Sfar, em sua estreia cinematográfica, consegue retratar todos esses lados da mesma pessoa, de forma leve, descontraída, sem se levar muito a sério (o que tem a ver, penso, com o jeito como Gainsbourg encarava todas as coisas). Não é a história oficial e verdadeira de Gainsbourg (como o diretor faz questão de anunciar no filme), senão uma interpretação livre e criativa de algumas das histórias relacionadas a ele, "um dos maiores artistas do século XX, que reinventou a música e o amor", como descreve o (belo) trailer.
Mas onde o filme mais acerta (pode deixar, sem spoilers aqui) é na mistura de linguagens e no uso criativo de muitos elementos narrativos. É como se o Gainsbourg pessoa fosse evoluindo junto ao Gainsbourg personagem, dialogando ação e imaginação durante todo o filme.
Isso acontece porque Sfar é um cara de imagens (é cartunista) e sabe dos potenciais narrativos na hora de contar uma história (em um e outro meio). Vai inclusive pelo caminho inverso da maioria das histórias baseadas em HQs: se a franquia X-Men se esforça mais a cada filme em parecer real e verossímil (o que fica ainda mais claro com esse First Class), usando os efeitos para provar o que só existia na nossa imaginação, no filme de Gainsbourg, efeitos, animação e uso de marionetes estão ali para sugerir, fantasiar e dialogar com a história que está sendo contada, ampliando seu potencial narrativo. Em um texto extremamente interessante de seu blog Sfar comenta seu processo criativo, mostrando como as duas coisas, ilustração e texto, quadrinhos e cinema, estão associados no seu trabalho (e como acaba usando um, mesmo quando está fazendo o outro). Como na frase (o blog está todo em francês e inglês):
"I also like this eternal feedback loop when shooting the movie, when I go back to my water-colours and draw a live actor being an imaginary character. (...) Building a narrative by opposing drawings and actor’s words, by making them dance together, is an inexhaustible source of inspiration."
(Trad.: Eu sempre gosto deste eterno vai-e-vem quando dirijo um filme, quando eu volto para a pintura e desenho um ator sendo um personagem imaginário. (...) Construir uma narrativa opondo desenhos e palavras dos atores, fazendo com que elas dancem ao mesmo tempo, é uma inesgotável fonte de inspiração)
Não por acaso seu novo filme (que estreou agora na França) é o desenvolvimento de uma das suas obras mais famosas. Desenvolvimento, já que: "I hate those stupid ideas like 'a movie based on a comic album'. When you create both yourself, it’s the same work." (trad.: Odeio estas ideias estúpidas como 'um filme baseado numa HQ'. Quando você cria as duas coisas, é o mesmo trabalho.") Le chat du Rabbin (ou o gato do rabino) é uma historia que ele começou em 2002 e que agora chega aos cinemas com o mesmo traço característico. Abaixo o trailer (em francês).Acho (ou torço para) que um dia o futuro do cinema pode vir também desses caras (me interessa especialmente esses casos); de pessoas que pensem o cinema de forma mais ampla, que misturem linguagens, que joguem com novos elementos, que misturem realidade, imaginação, sonho, etc. de forma que faça sentido (ou que seja ao menos atraente) e/ou fique visualmente interessante. As histórias em quadrinho jogam há muito tempo com algumas dessas ideias (falei mais disso aqui); é ver quando elas podem também chegar ao cinema de forma mais efetiva. O filme do Gainsbourg já é um desses exemplos. Fico imaginando o que Laerte, Angeli, Adão e Gonsales e, na América Latina, Quino, Liniers e Montt, para citar só alguns, poderiam contribuir ao nosso irregular (e às vezes pouco criativo) cinema.
segunda-feira, 23 de maio de 2011
Cannes, A Árvore da Vida, montadores e Daniel Rezende

O vencedor da Palma de Ouro em Cannes esse ano foi A Árvore da Vida, último filme de Terrence Malick. O filme americano conta com as participações de Brad Pitt e Sean Penn e é descrito como um drama com elementos surreais e influência da ficção científica (o que pelo visto poderia ser também dito do Melancolia do Lars Von Trier, filme que mais chamou atenção nesta edição do Festival - graças a polêmicas declarações do diretor - e rendeu prêmio de melhor atriz a Kirsten "Mary Jane" Dunst). Confira o trailer do filme abaixo (o de Melancolia você já viu aqui).
O que me chamou atenção em relação ao filme vencedor (e é especialmente importante para este blog) são os nomes que assinam a montagem do filme. São cinco pessoas no total (não consegui descobrir qual o papel de cada um deles): um tal Mark Yoshikawa; Billy Weber, montador de clássicos dos anos 80 como Top Gun e Um Tira da Pesada, e do Além da Linha Vermelha, também do Malick; Hank Corwin, montador do excelente (e obrigatório no tema) Assassinos por Natureza - é curiosamente o primeiro filme que ele montou; Jay Rabinowitz, montador de filmes importantes de dois dos maiores diretores atuais: Jim Jarmusch e Aronofsky - ele montou o mais obrigatório ainda no tema Réquiem para um Sonho; e por último (e mais importante) Daniel Rezende, o mais importante montador brasileiro do momento, que já foi indicado por Cidade de Deus ao Oscar e montou os Tropas de Elite, Diários de Motocicleta e uns tantos outros.
Uma das melhores seleções de montadores de todos os tempos e mais um destaque para Daniel Rezende, nome importante de nossa cinematografia. Rezende também já fez sua incursão à direção com o curta Blackout, que ele mesmo disponibilizou no Vimeo. Curta interessante que conta com a participação de Wagner "Capitão Nascimento" Moura e do diretor de fotografia César Charlone (que também atua). Confiram o curta abaixo na íntegra.
[spoiler] Como todo bom curta de montador estão aí as telas em preto, os planos-sequência e alguns elementos gráficos (os ponteiros do relógio) para dar graça à história. Ágil, atual e bem interessante, não acham?
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Um novo Lars Von Trier enquanto o mundo não acaba
sexta-feira, 18 de março de 2011
Os geniais efeitos visuais de Cisne Negro (contém spoilers, já aviso)
Pois aí está um belo vídeo de making of para nos ajudar.
O legal do vídeo é que mostra o truque cinematográfico ao mesmo tempo que mostra como a mensagem foi ampliada por essas muitas camadas feitas em pós-produção (como no caso do belíssimo plano da tatuagem de asa, por exemplo). Como falado no post anterior sobre a série In Treatment, esse tipo de coisa (como imaginar onde estaria a câmera em muitos planos, por exemplo) pode não ser imaginado ou mesmo cogitado por um espectador comum, mas serve para ampliar a reflexão sobre as imagens e gerar novas possibilidades narrativas. Ainda mais no caso do Cisne Negro, em que a história da bailarina e a interação com o instrutor de ballet (vivido pelo genial Vincent Cassel) apontam claramente para a relação da atriz com a personagem (que em alguns casos pode consumir demais a pessoa que interpreta, que começa a confundir os "papéis" - como no caso Heath Ledger/Coringa, imagino); e na relação própria entre a atriz e o diretor, que às vezes joga com o psicológico da atriz para alcançar o resultado desejado.
A pós-produção e montagem ajudaram no caso do filme a expandir essas possibilidades, jogando novas "camadas" de profundidade em uma já profunda história.
Ps. pros que se interessarem em ampliar o conhecimento sobre o filme, recomendo ver no Youtube uma longa entrevista (de quase UMA HORA de duração) com o diretor de fotografia Matthew Libatique, o montador Andrew Weisblum e o diretor, Darren Aronofsky, falando de forma quase informal sobre os diferentes aspectos do filme (clique aqui se quiser ver). Há outra com Natalie Portman, de pouco mais de meia hora que é também bem interessante (ela responde a pergunta "Você chegou a discutir com o Aronofsky se você realmente morre no filme?", já aviso) - para ver, clique aqui.
Ps2. Também falei do Cisne Negro em outro post, mas rapidamente, comentando os indicados ao prêmio de montagem do Oscar.
quinta-feira, 10 de março de 2011
Quando o roteiro, a direção e a montagem são executados com maestria. (ou: as idéias por trás da primeira temporada de In Treatment)

E se você não sabia, a série é uma adaptação de uma produção israelense feita três anos antes com basicamente os mesmos personagens e conflitos desta primeira temporada americana. Aqui a apresentação (mais detalhada que a anterior) da série original:
Algumas idéias que me fizeram ficar viciado na série:
1. O formato é genial. Episódios curtos, de menos de 30 minutos, que vão ao ar de segunda a sexta, cada um deles com o paciente do dia (o de sexta é para supervisão, ou seja, ele é o paciente). Isso não só é um fator viciante como dá um dinamismo bem grande à série; muitas vezes você se pega querendo pular uma semana para descobrir logo o que acontece com o personagem (o que eu na verdade não recomendo).
2. Há ali todo tipo de conflito: amoroso, profissional, familiar, etc. Cada hora você acha que tem mais a ver com um paciente (e um tipo de conflito) e isso costuma variar bastante ao longo da temporada.
3. O roteiro é primoroso. Diálogos objetivos, que conseguem prender e instigar o espectador ao mesmo tempo que garantem bom ritmo e soam naturais em quase todo o tempo (pelo menos para mim), tendo bom desenvolvimento ao longo da temporada.
4. Ao ver o filme Inception/A Origem, de Christopher Nolan, me perguntei se aquilo não poderia ser mais denso e mais perturbador (sendo também mais efetivo), entrando mais na cabeça (aqui também literalmente) dos protagonistas e expondo os conflitos, sem tantas explosões e tiros para tudo que é lado. Algo que seria no final das contas mais complexo e feito, possivelmente, de forma mais barata, já que você não cria tantas situações mirabolantes. Seria algo como o eXistenZ do Cronenberg, só que não tão viajado ou bizarro.
Pois bem, o In Treatment entra nessa categoria. Por que não gastar a meia hora do episódio focando apenas na interação entre as duas pessoas, em um ambiente fixo, sem maiores ações, flashbacks ou representações fictícias do que está sendo falado? Essa era a proposta da série e me parece extremamente efetiva. É dado ao espectador o poder da imaginação (assim como trabalha o psicanalista diariamente) e essa é a graça da coisa.
5. (e aqui chegamos ao tema central deste blog) A série é um ótimo exercício de direção e principalmente, de montagem. Ao trabalhar basicamente com diálogos, um único ambiente, sem maiores apoios cenográficos, com apenas dois atores, sentados, falando por meia hora, é preciso representar os movimentos que, em um processo psicanalítico, representam coisas -falam tanto quanto o diálogo- além de dar bom ritmo e prender o espectador.
Há dois pontos que me parecem especialmente representativos dessa idéia e que ilustram possivelmente as duas coisas mais complicadas do trabalho de montagem:
a. Ação/reação. Um exemplo claro disso tínhamos também nos filmes (também só de diálogos) Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol, dirigidos por Richard Linklater. Ao colocar duas pessoas também conversando durante toda a duração do filme, eles tinham que, a todo tempo, mostrar a pessoa que fala (e que sugere algo) e a que que reage (aceitando ou rechaçando algo). Mais que isso, eles tinham que representar em gestos o que não é dito: um olhar que provoca; um não que quer dizer sim; uma levantada de sobrancelha desconfiada. E aí está boa parte do trabalho do montador, sabendo quando mostrar a ação e quando sugerir a reação, durante um diálogo, optando cada hora por um plano diferente. A mesma preocupação existe na série.
b. Quebra de eixo/direção do olhar. Eis uma das coisas mais dificilmente explicadas em aulas de direção e que o montador tem que estar a toda hora atento durante o processo. Ao inverter o eixo da câmera, colocando ela numa posição oposta ao sentido em que estava (em relação à ação), mudam-se as direções de olhar e sentido da ação, confundindo o espectador. O que em geral se atém para não parecer um erro, na série é usado com sentido narrativo. Ao trocar de uma hora para outra o eixo da câmera, passando para o outro lado da ação (do ombro esquerdo para o direito do analista, por exemplo), os olhares dos personagens trocam de direção, fazendo com que estes assumam posturas diferentes. O que antes estava em uma posição de defesa (e olhava para a esquerda da tela em boa parte das vezes) passa a assumir posição de ataque, olhando para o lado oposto. É um fator desconhecido para boa parte do público (que não percebe como tal) mas que certamente acaba influenciado por este tipo de linguagem (ou ao menos temos a tendência a pensar que sim). Dá de qualquer forma uma intenção para cada plano (e aqui valoriza o trabalho do diretor), além de um ritmo e uma dinâmica muito interessante (e o do montador também). Fica muito mais legal analisar o diálogo quando você está ciente dessas coisas; e pode interpretar que papel cada personagem está desempenhando nos diferentes momentos da série.
Tá dada a dica. (se quiser, clique aqui para ver em streaming o primeiro episódio - e ficar viciado para sempre).
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
O oscar de montagem (ou: entre Inception e Social Network fico com Scott Pilgrim)

Logicamente os montadores Kirk Baxter e Angus Wall têm seus méritos, já que conseguiram dar bom ritmo e tornar bastante interessante um filme feito basicamente em cima de diálogos. Confira abaixo uma entrevista feita com os dois no momento seguinte à premiação. Aí eles comentam um pouco sobre essa dificuldade de trabalhar com muito texto; sobre o trabalho com David Fincher; e lamentam o diretor não ter levado no momento seguinte ao deles o prêmio também.
Mas se no post do ano anterior eu lembrava da não indicação de Redacted, de Brian de Palma para a premiação nesta categoria (o que já me parecia bastante estranho), este ano acho revoltante não termos Scott Pilgrim contra o Mundo, de Edgar Wright disputando a estatueta. Um filme atual e inovador, com uma quantidade assustadora de novas idéias por minuto, bem dirigido e bem adaptado do universo da HQ, com ritmo impressionante, apoiado em muitos efeitos e elementos gráficos diferentes. Um filme difícil de fazer e que se relaciona, na minha opinião, muito melhor com esse universo virtual/eletrônico atual, de tantas músicas em mp3, jogos de video game, televisão e Youtube (e faz isso através de um uso animal da montagem). Universo este que deveria também estar representado em A Rede Social, já que se relaciona com a história do Facebook, meio que junta todas essas mídias. A Rede Social usa da rapidez e agilidade da interação das redes sociais e é um filme inteligente e bem estruturado, mas é um filme de texto, de diálogo, careta portanto em certo sentido.
Se você acha que estou forçando a barra e a coisa não é bem nestes termos, veja abaixo então um extenso vídeo sobre os diferentes efeitos presentes no Scott Pilgrim, comentados pelo diretor de arte Nigel Churcher. (No Youtube também tem um making of de quase 50 minutos com detalhes do filme, para quem quiser se aprofundar mais).
Com isso, acho que a premiação do Oscar que vimos ontem ficou ainda mas sem graça, já que nela vimos poucos filmes competirem entre si em quase todas as categorias, sendo que muitas delas a vitória já era dada como certa por um deles muito antes de ser anunciada (como foi no caso de Toy Story 3). Mais competidores dariam mais dinamismo para a premiação, além de mostrar aos telespectadores que Hollywood não vai tão mal das pernas assim.
Em tempo: cabe aqui algumas ressalvas. Confesso que não vi ainda o 127 horas de Danny Boyle, diretor este que soube jogar incrivelmente com a montagem em diferentes filmes; seja com a lógica televisiva/bollywood em Quem quer ser um milionário?; seja com o irregular A Praia, em que víamos uma viagem de Leonardo DiCaprio inspirada também nos jogos de video game; ou no inquestionável Trainspotting. Muitos já me falaram que 127 horas cumpre o esperado.
Outra coisa é que também não mencionei Aronofsky e seu excelente Cisne Negro, filme magistral de outro diretor que sabe usar a montagem como poucos -Réquiem para um sonho e Pi são exemplos claros disso- e Cisne Negro não foge à regra. De um modo ou outro podemos dizer que a disputa estava mesmo acirrada. Se por um lado faltou Scott Pilgrim, por outro sobrou talento em poucos (e grandes) nomes.
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Dexter, quadrinhos e internet

Eu achava que o cinema jamais conseguiria adaptar fielmente (ou criativamente) o trabalho de ilustradores como o Dave Mckean (das capas do Sandman) e Bill Sienkiewicz (de Elektra Assassina e Asilo Arkham). Bom, o primeiro já teve sua chance na direção com o Máscara da Ilusão (2005), filme que tentou usar o 3D de forma diferente, segundo ele feito por menos pessoas, com o intuito de ser mais "autoral", mas com um resultado cansativo e bastante irregular. Mas eu nunca tinha visto nada feito pelo segundo.
Não até os seis webisodes que ele assinou, no final do ano passado, para a ampliação do universo da série Dexter. Mesmo com uma animação simples e um roteiro fiel à estrutura da série mas pouco aberto a experimentações narrativas, os belos desenhos conseguiram gerar um bom clima e são, de qualquer forma, um uso criativo de uma série de TV (voltado neste caso exclusivamente para a Internet). Pros que ainda não tinham visto, vejam o primeiro episódio da série abaixo e na sequência o making of (que ele não aparece). Para ver os demais episódios, clique aqui.
E já que estamos falando de Dexter, veja também a música que o Pogo (falei mais dele aqui) fez em cima dos ruídos e barulhos da série, em outro bom exercício de edição.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Everything is a remix. (ou: expondo e discutindo a manjada indústria cinematográfica)
Em cima deste conceito, o americano está criando uma série de vídeos (2 até o momento) que mostra como a indústria cultural, principalmente música (no primeiro vídeo) e cinema (no segundo), não consegue não se apropriar do já existente para criar novos produtos (como um terrível vício). A tese é logicamente mais antiga que esses caras e está sendo hoje em dia muito expandida dentro dos meios acadêmicos. Rick Altman no seu importante livro Os gêneros cinematográficos (2000) falava que este vício vem da necessidade da indústria de estar sempre criando franquias para fidelizar o público (gerando assim mais dinheiro) e o francês Nicolas Borriaud em seu Pós-produção (2007 - falei mais sobre ele aqui) discutia como hoje é mais legal justamente se apropriar do já feito para gerar novos produtos (aqui na verdade ia para o lado da apropriação e alteração em montagem, um uso mais artístico e consequentemente, mais valioso).

Mas nenhum dos acadêmicos fez um vídeo tão interessante e bem editado como fez o senhor Ferguson (o figura acima), que ainda por cima ilustra claramente como a indústria cinematográfica é repetitiva, girando sempre sobre os mesmos temas e conceitos (inclusive visualmente). Cinema é indústria e, para isso, deve render dinheiro (o formato disto foi inclusive brilhantemente atacado recentemente pelo mestre Coppola - ver aqui). E para render dinheiro, nada como jogar em terreno seguro, na melhor lógica de não se mexe em time que está ganhando (se está realmente ganhando nos dias de hoje é outro ponto a se discutir).
Vejam o vídeo abaixo. É o segundo da série. E aqui fala só sobre cinema.
Ilustrando também o conceito e focando sobre o exemplo do Kill Bill (mencionado no final do exemplo acima), o editor Rob Wilson fez outro vídeo (em parceria com Ferguson, inclusive) que mostra todas as milhares de referências usadas por Tarantino para compor o que poderia ser a obra-prima do remixing. Tarantino é o rei do copy/paste e é o melhor a se apropriar de signos antigos para criar alguma coisa ao mesmo tempo pop/vendável e inovador/vanguardista. Por isso mesmo tem milhões de teses por aí usando o figura para ilustrar conceitos do pós-modernismo. Se todo mundo copia tudo descaradamente, achando que está criando algo inovador, aqui a graça está justamente em expor essas referências e jogar com elas. É o mashup no lugar do remix.
Divirtam-se com o vídeo abaixo.
Os dois vídeos ajudam a jogar nova luz nos estudos acadêmicos e a expor de forma fácil e divertida as manjadas fórmulas da indústria cinematográfica, que explora demais os plots, as estruturas de roteiro, os mesmos personagens e situações, as mesmas fontes e referências. Algo muito bom e positivo deve vir de isso tudo no futuro. Como diria Lars Von Trier, "se você pensar que a história da arte começou quando um homem rabiscou a caverna e comparar com os cem anos da história do cinema, podemos pensar que agora mal sabemos como desenhar um bisão".
Ps. para seguir o projeto do Everything is a remix, fique ligado no twitter dos dois (@remixeverything e @robgwilson) e nos blogs pessoais (http://www.everythingisaremix.info/ e http://robgwilson.com/). As novidades e os próximos vídeos virão por aí.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Boardwalk Empire e mais mágica do Chroma Key

terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Sobre Fugazi, Cassavetes e trabalho na praia


A música que ele escolheu acho que é a minha predileta (do meu álbum predileto) do Fugazi (uma das minhas bandas prediletas): a Cassavetes, do In On the Kill Taker (álbum de 1993). Usando o tema da música, ele cruzou apresentações ao vivo da banda (provavelmente tirada do Instrument, ótimo DVD deles lançado em 2001) com cenas do filme Faces, dirigido pelo John Cassavetes em 1968 em que mais uma vez Gena Rowlands, também esposa do diretor, atua (é também citada na letra da música). Ah, o filme foi rodado na casa do casal, inclusive. Confiram o resultado do videoclipe abaixo.
E para aproveitar este que deve ser o último post do ano (já que ninguém é de ferro!), aí vai uma publicidade da produtora deles, a Copilotos, que ilustra muito bem como é trabalhar (e ter uma produtora) nesta época do ano. "Alô? Não... não fechamos. Aqui estamos. Em que posso lhe ser útil?". Aproveito este post então para desejar boas festas a todos (e bom trabalho pros que ficam).
Em tempo: nestes 10 meses de vida do blog, já tive mais de 13 mil visitas. Obrigado pela preferência. Postando sempre para postar bem (ou seria o contrário?). Celebremos então!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
RIP Sally Menke











