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segunda-feira, 28 de junho de 2010

Herzog, Onde Está Wally? e Plastic Bag

O diretor alemão Werner Herzog já fez de tudo. Já fez filmes cults alemães, como O Enigma de Kaspar Hauser ou Nosferatu; já gravou no Brasil seu Fitzcarraldo, com José Lewgoy, Grande Otelo e Milton Nascimento; e já até atuou como ator em um filme do Dogma-95, pro americano doidão Harmony Korine.


O que ele não fez mas alguém fez para a gente é imaginar como seria sua interpretação do clássico infantil Onde está Wally? (vídeo abaixo).



Não é a primeira vez que alguém faz uma paródia com o diretor alemão como tema (falamos de outra aqui). No canal de RyanIverson, autor do vídeo têm outras versões, mas para livros não tão conhecidos por nós.

A inspiração para a sátira pode ter vindo de Plastic Bag, do diretor Ramin Bahrani, que Werner Herzog narrou no ano passado. Filme simpático e politicamente correto (e por tanto sério) que narra a vida de uma sacola de plástico. Algo entre as pirações com sacolas de plástico do Beleza Americana e a construção dramática do Ilha das Flores do Jorge Furtado (certamente o melhor curta-metragem nacional).



Seja na tiração de sarro ou num curta politicamente correto vemos aqui dois exercícios bem interessantes relacionados ao cineasta Werner Herzog. Já que ele sempre apoiou os novos diretores, imagino que ele também não deva ver grandes problemas nessas outras adaptações de seu estilo, mesmo que seja na base da tiração de sarro. Não deixa de ser uma homenagem afinal de contas.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Com a copa desse jeito, o melhor é apelar pro Bruno Aleixo

Já que nessa Copa do Mundo:
- 2 x 0 já é goleada;
- Os melhores atacantes são os zagueiros;
- Gol contra já é golaço;
- Se alguém tiver na frente de algum bolão por aí, certamente é um cara amargo e rabugento;
- Se você tentar fugir do Galvão, cai no Luciano do Valle;
- E fugindo do Casagrande, cai no Neto (ou no Edmundo, o que é ainda pior);
- O Robinho provavelmente servirá na Copa mais para o intervalo comercial do que para fazer gols (dizem por aí que ele está em 7 de cada 10 propagandas da Copa);
- Acabamos simpatizando com a seleção argentina, seja pelo Messi, seja pelo Maradona (e corinthianos em geral simpatizam com Tevez e Mascherano). Alguns simpatizam até mais com eles do que com a nossa própria seleção;
- A publicidade, mesmo assim, acha que colocar argentinos, ora abobalhados, ora pagando mico, serve para vender melhor. Colocam eles como os "vilões" do evento. E parece assim que a Copa só conta mesmo com esses dois times (o nosso contra o deles);
- Ninguém aguenta mais ouvir falar de vuvuzelas, jabulanis e outras palavras do continente africano (coisa que os locutores e comentaristas adoram);

O jeito é apelar para o humor; melhor ainda se ele não se preocupar em fazer muito sentido.


E para isso, ninguém é melhor que o Bruno Aleixo no momento (foto acima). O português, que já até apareceu no "Fala que eu te escuto" mandando abraço à todas as torcidas (menos a do Palmeiras) tem mais comando do que qualquer mediador de mesa-redonda; seu programa tem certamente convidados mais inteligentes (como o Busto, o Nelson ou o Homem do Bussaco) que os já citados Edmundo, Neto e Casagrande; e se todo mundo diz saber quem vai ganhar tudo, que nem concorrentes ao Oscar, para depois ficar se explicando porquê não acertou a previsão, melhor fala quem não fala mesmo coisa com coisa.

Aí abaixo o episódio dedicado ao Brasil na série de programas estilo mesa-redonda que eles fizeram, dedicando cada programa para analizar uma seleção (clique aqui para entrar na página oficial deles).



Outro genial da série é o dedicado ao time da Eslovênia (ou seria Eslováquia?), em que ele fala quais são os times do campeonato paulista que ele gosta; e o que ele não gosta.



Vídeos simples, com ótimo timing para as piadas, que sabe usar bem o potencial de canais como Youtube e são todos feitos em montagem, manipulando poucos elementos. A prova de que para bom humor basta um bom roteiro e sacadas inteligentes; coisa necessária em tempos desta Copa tão pouco emocionante.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dan and Dan (esquetes de edição)

Dan & Dan é provavelmente o Marcelo Adnet gringo. Usando muitas músicas, textos geniais e bom timing, o(s) comediante(s) consegue(m) fazer vídeos geniais, explorando o melhor do formato Youtube. E o melhor: faz(em) isso com um ótimo uso da edição.


Gravando duas vezes a si mesmo falando textos diferentes (no mesmo quadro) e depois juntando em pós-produção, ele consegue explorar linguagens bem interessantes, criar momentos realmente cômicos e inovar, usando muitos poucos elementos. A graça não está em ver ele repetido e sim no texto e nas diferentes situações que ele vai criando nos diferentes vídeos. O tempo do diálogo é perfeito e a interação entre os dois personagens é melhor que muito diálogo de novela ou de filmes que existem por aí. Qualquer pessoa poderia fazer o que ele faz; o truque é fácil e manjado. Mas dificilmente a pessoa teria esse timing, de conseguir criar um diálogo realmente eficiente falando duas vezes para a câmera.

Abaixo coloco uns tantos exemplos de diferentes situações criadas por ele(s). No primeiro vemos quatro Dans cantando uma música (no Youtube há outro bem parecido, mas para uma música dos Ben Folds Five). No segundo outra música, mas agora explorando muitas piadinhas feitas em edição. O terceiro é uma música (talvez a mais famosa) em que ele satiriza (brilhantemente) o jornal britânico Daily Mail. No quarto vemos uma sátira com o seu próprio formato. E por último, o "experimental" e curiosíssimo "Sketch palíndromo", que dá para ver de frente para trás ou de trás para frente que fica igual (segundo ele). Para mais vídeos, acessem o canal do Youtube ou o blog dele(s). Dá para perder o dia vendo isso aí. Aproveitem!