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quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

People Change (enfim, em um Vimeo perto de você)


Mais ou menos um ano atrás eu concluía um curta-metragem (o meu primeiro), feito de forma extremamente barata (no campo "orçamento" do formulário de inscrição de alguns festivais eu coloquei algo como 5 euros, o preço de uma fita mini-dv), que servia inicialmente para ilustrar umas tantas idéias da minha tese de mestrado, que tinha como tema inovações em montagem no Cinema. O curta contou com a colaboração de alguns amigos e foi feito ao longo de uns seis meses em frente ao After Effects, nos meus meses finais em Barcelona. Ele tenta ilustrar algumas das tantas coisas que um montador pode fazer com os softwares de edição disponíveis, afim de ganhar sentido narrativo (as idéias por trás dele eu falei melhor aqui).

Neste ano ele rodou quatro festivais: a Mostra do Filme Livre e o Cinesul - Festival Latino-americano de Cinema e Vídeo, que acontecem no Rio de Janeiro; o Festival Locomotiva de Animação, que acontece em Garibaldi, no Rio Grande do Sul; e a VI Mostra Internacional de Curtas da Unioeste, Universidade de Toledo-PR (falei mais sobre dois deles aqui).

O resultado você pode conferir abaixo. Espero que goste.

People Change from Ricardo Kenski on Vimeo.


Fica aqui novamente meu agradecimento a todos que me ajudaram a realizá-lo. E aos festivais que acreditaram na idéia.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Quando a montagem é a história

Engraçado ver um curta-metragem depois de ter feito o meu que poderia ser muito bem entendido como uma influência. No curta "Linia" do polonês Grzegorz Rogala, de 1981, vemos também jogos com a montagem muito interessantes em diferentes situações. Ele cria um elemento (a tal da "linha" do título) e através dela divide espaços e personagens, interage com as pessoas, cria novos ambientes...

Usa assim a montagem para criar elementos narrativos e brinca com o que é real ou não, enganando o olho do espectador. Mais uma vez a graça está em perceber os elementos que estão sendo criados em montagem e visualizar estes espaços compostos, criados através da interação com este elemento gráfico. Mais um produto do que chamo ser a "montagem visível" e que vai contra a idéia americana de que perceber a montagem é afastar-se da história. Aqui a montagem é a história.

Um curta interessante, com bom desenvolvimento, que utiliza os elementos específicos do cinema (seria difícil ou sem graça explicar a história literalmente) para mostrar situações novas, através de espaços urbanos conhecidos e situações cotidianas. Não se baseia em "o que vou fazer em frente à câmera" e sim "como vou usar o que acontece em frente à câmera".

Aproveite! (E sempre que quiser coisas legais em animação, uns vídeos diferentes com umas boas sacadas, procure os polacos. Nunca falha!)

quarta-feira, 3 de março de 2010

As idéias por trás do meu People Change (ou: transformando teoria em prática)

Em setembro do ano passado concluí um curta-metragem em Barcelona que em teoria funcionava como a parte prática da minha tese de mestrado. A tese tinha como tema o que eu chamei ser "Montagem Visível" (ou a montagem cinematográfica que é percebida pela audiência) e como ela acaba sendo um elemento narrativo a mais, algo interessante, que fascina o espectador. Diferente da visão que muitos têm de que a montagem quando é percebida distancia o espectador da história. Como exemplos de diretores que sabem usar bem esse recurso poderiam estar: Eisenstein, Godard, Oliver Stone, Greenaway, Gondry, Tarantino, Lars Von Trier, Aronofsky, Kusturika, Guy Ritchie, entre muitos outros.

O curta para mim funcionava como um diálogo entre o "Tango" de Rybczynski (comentado aqui) e o "Intervals" de Peter Greenaway (veja abaixo), dois bons exemplos do uso da montagem em curta-metragens.



Do primeiro tiro a idéia que eu já discuti aqui no blog, de se pensar dentro do quadro (a tal da Montagem Vertical), alterando e manipulando as imagens capturadas em um plano fixo. Do segundo tiro a idéia de usar um material meio aleatório para isso, no caso, as pessoas que passam do outro lado da rua, os carros que cruzam, as situações cotidianas que acontecem em frente da câmera e que nós não temos controle (próximo à lógica do documentário). Tudo isso usado para o fim de ilustrar alguns pontos da tese e assim, acaba servindo de exemplo de como um montador consegue gerar elementos narrativos apenas manipulando os diferentes recursos dos softwares de edição. E nisso há slows, fasts, composições de imagens, animações de diferentes estilos. Achei legal chegar na hora da edição apenas com uma idéia inicial do que pode ser feito e ir com o tempo encontrando significado no cruzamento entre as diferentes coisas que aconteceram em frente da câmera.

O curta acaba de ser selecionado para a interessante Mostra do Filme Livre, que acontece este mês no Rio de Janeiro e previlegia o cinema independente, alternativo, livre das tais leis de incentivo (ver a página do festival aqui). Por isso não está disponível na Internet (desculpa!); a exclusividade deve ser dos tais festivais. Mas deixo vocês com algumas imagens dele abaixo, para que possam visualizar (ou imaginar) um pouco melhor o que acontece.

Para fazer o curta contei com a essencial (e genial) ajuda de Gustavo Junqueira na captura de imagens; animação de André Berger, Bruno Bertogna, Edgar R. Pinho, Julia A. Baranguán, Paty Blumenthal e Thiago Assan Piwowarczyk; e música de Fábio Massa.

Gostaria então de agradecer nesse espaço à Mostra do Filme Livre, por apostar nesta idéia, e a todos estes que fizeram com que o curta-metragem ficasse tão legal como ficou.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Montagem Vertical (ou: Rybczynski vs. Green Day)

A Montagem Vertical pode ser caracterizada como uma técnica de pós-produção e se define por pensar dentro do quadro, agregando elementos que acontecem simultaneamente. Um efeito especial ou uma composição de imagens poderia estar dentro desse processo, já que cria uma imagem composta. O lado vertical também se relaciona com as próprias timelines (ou linhas do tempo) dos softwares de edição, em que um layer ou canal se sobrepõe ao outro, cada um como uma imagem, efeito ou elemento sobre as demais.

Mas muito diferente de colocar uma imagem ou elemento gerado em 3D dentro de outra, por exemplo, é usar diferentes situações acontecendo simultaneamente e pensar em uma peça que jogue com essas possibilidades, gerando elementos narrativos. Mais que enganar o olho do espectador com um efeito invisível, aqui se busca mostrar esses recursos para conquistá-lo.

É o que faz com maestria o diretor/animador polonês Zbigniew (ou Zbig) Rybczynski em seus curtas, como por exemplo no "Tango" de 1980. Aqui temos um apenas um quadro fixo com diferentes situações cruzadas acontecendo simultaneamente.



Como tudo acaba chegando aos videoclips (hoje em dia muitas vezes esses recursos são criados neles), eis como o curta foi lido em uma adaptação (homenagem/plágio?) da banda Green Day (para a música Redundant do álbum Nimrod de 1997). Vemos a banda se relacionar com o mesmo tipo de situação, incluindo uns personagens similares (a mulher que se veste, o casal que namora no sofá, etc).



Dois bons exemplos da montagem usada sabiamente para gerar efeitos narrativos, ampliando seus recursos.