Expectativa para o show do The Sea and Cake, que logo mais toca no Sesc Pompéia, em São Paulo. Banda de Chicago que faz um som calmo e bem criativo. Já contam com oito álbuns no currículo (existem desde 94), todos muito acima da média. Everybody, álbum de 2007, é certamente um dos meus álbuns prediletos, destes que são bons do início ao fim (coisa rara nos dias de hoje).
Pros que não conhecem, abaixo um excelente videoclipe da banda, para a música Weekend, presente no último álbum, o Car Alarm, de 2008. O ritmo da edição e das imagens acompanha bem o ritmo da música, no geral lento mas também criativo. Imagens bem captadas, que até lembram o Suburbs do Arcade Fire, mas aqui, nada de exércitos, histórias mais complexas ou outras aplicações (como o média metragem que apareceu depois). Apenas o registro desses bonitos momentos da adolescência, ordinários e ao mesmo tempo cheios de significados.
Se os shows do OK GO, do Foals e do Metronomy, vinham depois de videoclipes meio malucos, cheios de ideias visuais e maiores produções, para o de hoje espero apenas um bom show, sem muita produção, mas com um belo conteúdo (como é o caso do videoclipe acima).
Passou já uma semana do show dos Ok Go. Minha opinião não mudou muita coisa não. Mas para fazer justiça à banda, faltou falar de dois outros videoclips, realmente relevantes para o que pretendo com este blog. Os videoclips são os das músicas WTF e End Love.
Esses caras adoram fazer um videoclip com um bom plano-sequência e esses dois não fogem à regra. A diferença aqui é que eles tem umas sacadas bem bacanas de edição. No primeiro, o WTF, eles gravam um plano-sequência em fundo verde para recorte em chroma (sem nenhuma novidade até aqui), mas colocam um efeito que cria todo o visual do clipe (e faz ele ficar interessante). Até aí nada de mais também. Bacana mesmo é ver da onde surgiu a idéia e como foi feito no video de making of feito por eles, muito bem editado, diga-se de passagem (a linguagem lembra a do programa Pânico na TV). Não é sempre que podemos ver videoclips com comentários do diretor, como já estamos acostumados nos filmes.
O segundo é o End Love e é um dos melhores usos em videoclip que conheço para os time lapses (deixando o Gondry de lado, obviamente), que agora, com as novas câmeras de foto da Canon gravando também em Full Hd (5D, 7D e a Rebel T2i) começam a pipocar por todos os lados na Internet. Mais que isso, eles sabem jogar neste videoclip perfeitamente com as velocidades. Algumas horas acelerando o tempo, algumas horas usando um super slow, algumas tantas horas indo quadro-a-quadro estilo stop motion. Nenhum efeito ultra mirabolante, mas um conjunto bem bacana, com um ritmo bem interessante. (Em outro videoclip, a versão papel-de-parede da música Do What You Want, eles também jogaram bastante com o tempo, desta vez em planos separados, cheios de corte).
Tão aí os dois vídeos abaixo. Divirtam-se.
Conclusão: ao contrário das demais bandas, esses caras deveriam fazer menos shows. E mais videoclips. (E bom saber que tem gente por aí que sabe que um videoclip não é um curta-metragem e nem uma peça publicitária).
O Ok Go lançou hoje mais um videoclip. E como sempre, vai espalhar pela Internet que nem vírus no ar-condicionado da empresa. O novo clipe é feito de novo em um só plano-sequência, dessa vez com alguns poucos objetos e cachorros bem treinados. Se as pessoas que esperavam coisas mais mirabolantes (como as de alguns videoclips anteriores, como o do Pitagora Suitchi -que falamos aqui), ou algo tão divertido (como o primeiro, das esteiras de academia), vão virar a cara para esse, ele será aceito amplamente por todas essas pessoas (bobas) que babam em vídeos de cachorros (que tem na Internet aos montes). Mais uma vez eles sabem transformar apelos de vídeos toscos em videoclips baratos com boas sacadas. Isso é um dos maiores méritos da banda. Confira aí abaixo o resultado.
Sou um dos que se diverte vendo esses videoclips, devo confessar (mesmo sendo assim meio sem graça, como esse último). O problema na verdade começa quando começa a apresentação deles ao vivo (como presenciei na última sexta-feira no Estúdio Emme, em São Paulo). No palco, sem esteiras elétricas, cachorros, planos-sequências mirabolantes, figurantes para todos os lados e trucagens interessantes, você tem que prestar atenção na banda e obviamente, na música. E isso não se sustenta por muito tempo. Eles até tentam jogar papel picado para ver se melhora o show (e fazem isso o tempo inteiro); ou tentam tocar uma música só com sinos (certamente um dos pontos altos da apresentação); vestem ternos com luzinhas no bis (como a da foto abaixo); ou vão para o meio da galera, só com voz e violão (hora de pegar mais uma cerveja). Mas é pouco; e fica extremamente cansativo. Fica no fim que nem esse último clipe aí acima: bobo e algo sem graça, apoiado mais no "como eles são fofos", idéia que o vocalista certamente acredita - e prega durante o show-, do que "até que a música é boa", coisa que nem uns tantos hits no currículo ajudam a sustentar muito.
Conclusão: ter milhões de page views ou ser conhecido por muitos não faz de você algo realmente interessante ou relevante. Isso se aplica também de forma geral ao twitter e à esse universo dos blogs, que certamente são os maiores apoiadores da banda.