sexta-feira, 31 de agosto de 2012

À procura de Kogonada? - por Domênica Mantel


Ele ou ela, não se sabe…. Onde e como, não se sabe… Se ontem, se hoje…não se sabe.

Até o momento, tudo o que encontrei  foi uma página no Vimeo , um “@” um tanto lacônico no twitter, um tumblr sobre um projeto em andamento e literalmente milhares e milhares de “amigos internautas” que, via facebook, blogs e tudo quanto é rede social, inundaram a “rede mundial de computadores” com isso:
Em questão de minutos, a perspectiva foi deixada de lado em função do imediatismo. Muitos compartilharam, alguns entenderam mas, será que todos realmente viram?

Kogonada, assim como os cineastas que o/a influenciam parece se preocupar com a estética, sem menosprezar o conteúdo . Expõe seu trabalho numa linguagem em que sentidos milimetricamente sincronizados, se condensam na forma dos sons de Aronofski, da ironia contra o poder, de Tarantino, da delicadeza irônica de Wes Anderson e de tudo isso reunido, por meio dos pontos de fuga de um Kubrick sempre magistral. 

Sounds of Aronofsky from kogonada on Vimeo.

Tarantino // From Below from kogonada on Vimeo.

Wes Anderson // From Above from kogonada on Vimeo.

Não comparo, de forma alguma, o trabalho de Kogonada  ao de seus “homenageados”. O ponto aqui é o olhar atento, o estudo da linguagem, a sequência de cortes que nos direciona um mesmo caminho onde nenhum plano é gratuito. 

Que venham outros videos… Que nós nos treinemos para, independente deles, passarmos a realmente… enxergar e que o/a Kogonada não se revele. Acabaria maculando o verdadeiro foco. :)
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Domênica Mantel já falou aqui sobre a impressão digital do filmes, mantém o blog Tudo Fundido, faz pequenas reflexões em 140 caracteres em seu @Dodomlyns e a partir de Outubro escreverá novamente sobre todos os episódios da nova temporada de Dexter no blog Sobre TV.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Baby Got Back e Sir Mix-A-Lot (ou: quando os editores mais criativos são os não-editores)

O nome da banda vale também para o figura que editou o vídeo. Usando uma música do rapper Sir Mix-A-Lot, um cara que gosta de cinema e não edita profissionalmente misturou falas de 295 filmes para recriar a letra da música. Segundo ele, demorou quatro meses para terminar o ambicioso projeto. E agora, em pouco mais de uma semana, já conseguiu quase 3 milhões de visualizações. 

Divirtam-se. (A letra da música aparece automaticamente. Ligando o closed caption você pode ver os títulos dos filmes. Arraste o texto para outro lugar da tela se quiser ver melhor).

terça-feira, 3 de julho de 2012

Videoclipes com Instagram (ou: como ter um videoclipe barato visto por milhões de pessoas)

Nova fórmula do sucesso para bandas de público jovem que querem ter milhões de visualizações em seus novos videoclipes: pedir para a galera mandar as fotos do instagram, juntar tudo em um videoclipe fofo com letrinha bonitinha e esperar que todas essas pessoas saiam por aí divulgando a participação.


É o que fizeram os ingleses do Vaccines para a música Wetsuit. Intercalando fotos que as pessoas mandaram e alguns poucos vídeos, registraram diferentes lados de uma de suas apresentações ao vivo. O resultado é meio chocho e a musiquinha não me convence. Mas eles já garantiram seus muitos page views.



Como tudo, essas coisas não demoram para chegar no Brasil. Os conterrâneos Móveis Coloniais de Acaju fizeram a mesma coisa para música também fofa, desta vez em projeto mais ambicioso. Juntaram mais fotos, fizeram uma composição com todas elas e tentaram alguns pequenos truques de edição, como fotos para ilustrar momentos da música e até um ou outro stop-motion. 



Mas acho que de todos esses o que ficou mais interessante é também o mais modesto. Os americanos do A Place to Bury Strangers simplesmente juntaram um monte das fotos que, pelo visto, eles mesmos tiraram durante a turnê e montaram um videoclipe com isso. Legal que não encheram a tela e mantiveram o tamanho das fotos originais e no final há também alguns stop-motions simples. Simpático, casou também com a música (não tão fofa no caso deles). Pura estética aqui, sem querer angariar fãs apelando pro crowsourcing. Ponto para eles.



Fica a ressalva: o A Place to Bury Strangers toca em São Paulo no Beco203 no dia 11 deste mês, por singelos 30 reais. Caso raro de boa música com ingresso honesto. Merece nosso respeito e divulgação, portanto. Não percam!

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Tudo o que você queria saber sobre o Homem-Aranha mas tinha medo de perguntar (reunido em um só programa)

Hoje, 9 e meia da noite, estreia na HBO Plus mais perto de você o programa The Amazing Spider-Special, grande homenagem ao HOMEM-ARANHA que tive o (enorme) prazer em dirigir.




Ele junta o que há de melhor relacionado ao herói espalhado pelo mundo, comentado, é claro, por quem melhor poderia falar sobre o assunto. De forma sucinta:

1. Ninguém melhor para descrever o herói e falar sobre todas as suas características, dos vilões à personalidade complexa de Peter Parker, do que o brilhante time que toca a Marvel (e as publicações relacionadas ao personagem) hoje em dia. São eles: Joe Quesada (Chief Creative Officer), Axel Alonso (Editor In Chief), Tom Brevoort (SVP/Executive Editor), Steve Wacker (Senior Editor, Spider-Man), Tom Brennan (Associate Editor, Spider-Man), Ellie Pyle (Assistant Editor, Spider-Man), Dan Slott (Writer) e Paolo Rivera (Artist). Para relembrar, aí abaixo uma das minhas capas prediletas do Paolo Rivera.



2. Adiantamos o que vem por aí no filme novo, comentado (com exclusividade) pelo novo time do diretor Marc Webb (que traz no nome um trocadilho com o Homem-Aranha, inclusive): o ator Andrew Garfield, fã declarado do personagem, Emma Stone (namorada dele dentro e fora das telas) e Rhys Ifans (que vive os dois lados do vilão Lagarto).

3. Mostramos um tour em NY que mostra os lugares da cidade que serviram de locação para os 3 primeiros da série, que também são lembrados ao longo de todo o programa. Os filmes, inclusive, os TRÊS, estão na programação do canal.

4. Entrevistamos os atores principais e mostramos os bastidores do novo show do Homem-Aranha da Broadway, que conta com músicas do U2 (legal...) e vôos em cima da galera (GENIAL!).

5. Apresentamos a nova atração do parque da Universal dedicado ao Homem-Aranha, que também traz as famosas aparições de Stan Lee em uma bela animação em 3D.

6. E deixando o melhor para o final (do post e do programa) vos comento que ninguém menos que STAN LEE dá seu depoimento e manda o recado para os fãs latinos (honra sem precedentes entrevistar ele, devo admitir).

Concluindo: você é fã do Homem-Aranha? Então não perca. Não é fã? Pois deveria ser. :)

Os demais horários em que o programa será exibido você encontra nesse link:

E fique ligado na programação da HBO Plus. Além do programa e dos três primeiros filmes, programas curtos espalhados pelos breaks trazem mais informações sobre cada uma dessas coisas. Genial, não?
EXCELSIOR!!!

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Videoclipes com atores (ou: de Pogues com Johnny Depp a Jon Spencer com Winona Ryder)

Agora que Jared Leto, Juliette Lewis, Charlotte Gainsbourg e até Scarlett Johansson decidiram passar das telas de cinema para o cenário musical (com maior ou menor êxito), não é nada mal recordar alguns atores que deixaram seu registro nos videoclipes fazendo, aí sim, o que fazem de melhor: atuando.

Começando pelo cult ator sueco Stellan Skarsgård, que agora provavelmente ficou rico com os Vingadores mas que, na verdade, merece o nosso respeito por estar em Ondas do Destino (1996), Dançando no Escuro (2000), Dogville (2003) e Melancolia (2011). (Quase ganha do Udo Kier e do Jean Marc-Barr em parcerias com o Lars Von Trier). Agora atua num clipe estranho da mais estranha Lykke Li (sabe-se lá porque razões).



Não voltando muito no tempo e continuando nos clipes bem produzidos, fiquem com o estiloso Stylo dos Gorillaz, que conta com um implacável Bruce Willis perseguindo os famosos personagens animados (poderia ser entendido como um clipe dos Muppets on acid).



Os Beastie Boys recentemente chamaram TODO MUNDO para atuar no media-metragem Fight for your Right, dirigido pelo Adam Yauch (que Deus o tenha). Mas poucas formações musicais seriam mais interessantes que essa da cleptomaníaca Winona Ryder (a foto lá em cima tá foda, não?) atacando de Jon Spencer com Giovanni Ribisi (de Friends) no baixo e John C. Reilly (de Magnólia) na batera.



A qualidade é tosca e o clipe é bem estranho. Mas é uma música do Shane Macgowan (dos Pogues) aqui dirigido e atuado pelo Johnny Depp (que já até tocou com eles ao vivo).



E para encerrar (e contrapor toda a beleza do Shane Macgowan), fiquem com Marion Cotillard fazendo uma ponta em 2003 para música do tal Richard Archer.



Alguém aí com alguma lembrança interessante de um videoclipe que conta com a participação especial de seu ator predileto?

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Mesmo truque. Outro resultado. (ou: Fiest e Primavera Festival)

Nada se cria. Tudo se copia. Na publicidade mais que em qualquer outra área audiovisual.

Uma trucagem visual de um videoclipe (que já tínhamos falado em outro post), veio parar em uma publicidade recente. O truque em questão aparece no famoso videoclipe de 1234 da cantora Fiest. A publicidade é a do festival Primavera, que acontece em Barcelona neste final-de-semana (ele é o meu festival favorito). No final, ao contrário de todas as publicidades (e publicitários) preguiçosos (99% dos casos) que copiam coisas já vistas no cinema ou nos videoclipes, aqui o truque acho que acabou funcionando, até porque as duas coisas dialogam (música e festival de música). E se no primeiro o truque era feito para abrir e fechar o videoclipe, na publicidade ela é feita muitas vezes (e em menor tempo). Trata-se nos dois casos de um plano-sequência trucado onde um elemento (uma pessoa) serve para mascarar uma ação que passa a acontecer no segundo plano.

Relembre abaixo o videoclipe e veja na sequência a publicidade. (E claro, se você não mora em Barcelona, morra de inveja de quem verá Jeff Mangum, Wilco, Beirut, Franz Ferdinand, The Rapture, Yo la Tengo, the Drums e mais um milhão de bandas, em apenas um final-de-semana).



quinta-feira, 1 de março de 2012

The Guardian, 3 porquinhos, Sherlock, Mais Estranho que a Ficção e suas interessantes composições de imagem e letterings.



Lançado ontem no Youtube, um comercial do jornal inglês The Guardian usa a história dos 3 Porquinhos para mostrar o alcance de sua informação nas mais diferentes mídias. Para isso, mistura elementos de todas elas em um comercial com ótimo ritmo, muitos recursos gráficos, divisões de quadros e um belo roteiro.


A edição e a mistura de linguagens lembra outro inglês recente: na série Sherlock, da BBC, há o mesmo uso de letterings e ambiente 3D para destacar detalhes, conversas e mensagens telefônicas, e (aqui o diálogo é ainda mais claro entre os dois) para mostrar a repercussão de ações do personagem nas mídias sociais e imprensa. No vídeo abaixo o ator Benedict Cumberbatch (o próprio Sherlock) fala em uma entrevista (num banheiro?) sobre essa atualização da história; e podemos ver também um rápido exemplo desse uso da edição na série.


O uso dos letterings nesses dois casos lembram também o genial clipe inicial de Mais Estranho que a Ficção, filme de 2006 dirigido por Marc Foster e protagonizado por Will Ferrell (certamente seu melhor trabalho). O trabalho de pós-produção foi feito pela americana MK12, conhecida por qualquer amante de videografias e computações gráficas. 


O exemplo acima pode ter servido de inspiração para os dois outros casos, que também souberam misturar a linguagem gráfica a um sentido narrativo, servindo agora para ilustrar a combinação de mídias que estamos expostos nos dias atuais. E se cada mídia pode ser entendida como uma nova camada de informação, isso em pós-produção acaba sendo representado como uma sobreposição de layers e divisões de telas, ora aumentando a complexidade, ora fragmentando o discurso.