segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dos videoclipes para o cinema, do cinema para os videoclipes. (ou: a nova parceria entre John Hillcoat e Nick Cave)


Pouco tempo atrás estava em cartaz nos cinemas brasileiros o filme Os Infratores. Com um grande elenco formado por Shia LaBeouf (famoso pela série Transformers), Guy Perce (de Amnésia), Mia Wasikowska (a nova Alice), Tom Hardy (o Bane) e Gary Oldman (o Comissário Gordon), o filme também marcava mais uma parceria entre John Hillcoat (o diretor) e o músico Nick Cave (que assinou o roteiro do longa-metragem). 



Já acostumados a trabalharem juntos nos videoclipes (e no cinema) faz um bom tempo, o diretor lança hoje o vídeo para a  nova música de Nick Cave, Jubilee Street. Com belíssima fotografia, uso da letra da música transformada em diálogos (na boca dos 3 personagens) e atuação de Ray Winstone (de filmes como Hugo e Branca de Neve e o Caçador), o videoclipe poderia até lembrar o Amor à Flor da Pele do Wong Kar Wai, pela temática e fotografia (além de também contar com cenas bastante ousadas). Confiram o resultado abaixo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Corta-e-cola recomenda: Enter the Void (2009). Dir.: Gaspar Noé

Gaspar Noé é um diretor subestimado. Talvez por causa da famosa e longuíssima cena de estupro do filme Irreversível (protagonizada pela Monica Bellucci), o diretor passou a ser mal visto pelo público e por uma parte da crítica, como se quisesse apenas chocar sem ter uma mensagem para passar; e como se usasse os truques de edição por puro espetáculo, sem necessidade. Por causa disso, seu filme seguinte, Enter the Void, de 2009, obra (na minha opinião) a estar entre as maiores inovações e provocações do Cinema, nunca chegou às salas brasileiras e, desconfio, nem às locadoras ou lojas de DVD.


Gaspar Noé é o contrário de tudo isso e Enter the Void é um filme para ser visto e revisto, com bom áudio e de preferência em Blu-Ray. Ambientado no Japão e tendo o uso de drogas e a morte como temas principais, o filme traz um uso bastante diferente de movimentos de câmera (que o diretor já tinha provado em curtas e longas anteriores, incluindo o próprio Irreversível) mas, desta vez, esses adquirem poderosos efeitos narrativos. E a montagem, outra das muitas qualidades do diretor, joga brilhantemente com esses planos, criando momentos bem diferentes ao longo do filme.



O projeto nasceu, segundo o diretor, após ele ter visto drogado o filme A Dama do Lago, de 1947. Dirigido por Robert Montgomery, este é outra dessas experiências interessantes do cinema, já que é todo feito usando planos subjetivos (nos dois filmes conhecemos o personagem principal apenas através do espelho, feito com um plano trucado).



Os dois filmes (e o recurso) dialogam com o clipe de Smack My Bitch Up dos Prodigy, dirigido pelo também amigo da boa edição Jonas Akerlund, que tem em seu portfolio o filme com mais cortes da história (mais de 5 mil, segundo o Imdb): Spun - Sem Limites (do qual certamente falaremos em outra ocasião). Abaixo o clipe na versão sem sensura (mais coerente com o filme que é o assunto deste post).



Por último, se estamos citando referências e filmes relacionados, diria que Enter the Void é, provavelmente, junto com o Speed Racer dos irmãos Wachowski, o filme mais colorido da história (e daí o porquê de eu ter dito que funciona melhor em Blu-Ray). Nenhum outro além desses conseguiu capturar com tanta intensidade esse mundo ultra-tecnológico (do qual o Japão faz parte), com overdose de movimentos e luzes neon, já apontando para um mundo futurista bem bizarro (Blade Runner também recria a mesma coisa de forma brilhante, mas com tons bem mais sutis).



Ps. "Corta-e-cola recomenda" é um espaço que faremos, daqui por diante, com esses filmes que nos inspiram e que trazem inovações ou discussões que achamos relevantes. Se você tem alguma sugestão ou lembra também de algum filme que vá no mesmo sentido, por favor, mande para nós nos comentários abaixo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sobre Sundance e o cinema independente (e claro, o curta vencedor)

O festival de Sundance é, como todo mundo já sabe, a meca do cinema independente. Cineastas iniciantes e propostas audiovisuais mais ousadas dividem as salas de cinema da pequena e fria cidade de Park City, que fica no estado de Utah. Há ali aqueles diretores que buscam usar o festival como trampolim para Hollywood e há também aqueles que se sentem confortáveis no underground, jogando com a liberdade que o cinema independente gera para eles (e o espaço que o festival dá para que essas obras sejam vistas).

 
Os filmes são divididos em várias categorias, que vão de documentários e ficções (sub-divididos em produções americanas e internacionais) a outras como NEXT (que se destina a formatos mais ousados), New Frontier (que usa recursos multimedia, 3D e afins) e Midnight (terror, comédia e outros filmes de gênero em sessões à meia-noite). E, como todo bom festival, tem a parte destinada aos curtas.

Os curtas, que normalmente já são considerados um formato para experimentação e para promoção pessoal, aqui estão em seu habitat natural (e, por isso, não ganham atenção diferenciada). Também estão divididos em documentários e ficção, tendo ainda uma seleção só de animações e outra, patrocinada pelo Youtube, que conta com a participação de nós, internautas.


O curta Catnip: Egress to Oblivion? (algo como Catnip: Saída para o Esquecimento?) do americano Jason Wilis foi o vencedor dessa categoria, já que teve mais pageviews no Youtube (o que também pode ser interpretado como o "prêmio do público"). 

Tive o prazer de ver na sala de cinema e funciona ali muito melhor, ainda mais com o público da meia-noite (que gargalhava a cada 10 segundos). O curta, um belo exercício de edição, foi feito, segundo o diretor, com 29 dólares (para comprar catnip e outros mimos aos "atores" do curta). E foi rodado com os gatos dos amigos em suas próprias casas e depois criado todo em pós-produção, dando sentidos (hilários) aos muitos movimentos e expressões dos felinos. Divirta-se. (Os demais vídeos que competiam com ele podem ser vistos na página do Youtube).



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Como Impressionar o Cara que "Matou" Bill.

Ano passado, a RedBull lançou o seguinte desafio:  Encontrar artistas que apresentassem trabalhos originais em qualquer formato multimidia para impressionar, em até 3 minutos, ninguém mais, ninguém menos que…





















Além da visibilidade, o Django Unchained Emerging ArtistContest oferecia ao ganhador a chance de encontrar o próprio na Comic-Con 2012. O autor da façanha é o brasileiro (sim!!) Edson Oda: Um cineasta paulistano, residente em  Los Angeles que, inspirado por três dos “Western Spaguetti”  favoritos do diretor, “seduziu” Tarantino assim:


The Writer from Edson Oda on Vimeo.

Ao misturar técnicas como Origami, Kirigami, Time Lapse, Quadrinhos e um excelente roteiro (algo que nem a melhor das técnicas ensina), Fabio entrega um trabalho primoroso tanto na direção, quanto na edição e estebelece algo ainda mais difícil: inovação. Belo aquecimento para o filme que estreia hoje, não?


Django Trailer from Create on Vimeo.

O bonus track, que na verdade inspirou este post, fica por conta de “Malaria”, brilhante ideia inicial de Fabio para o concurso, que infelizmente, não ficou pronta a tempo. O duo que compõe este blog, gosta deste ainda mais. A decisão é sua.
Agradecimentos a Rafael Kenski (@rkenski) pela dica. 


Malaria from Edson Oda on Vimeo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

This Exquisite Forest - Animações colaborativas

Primeiro veio a ideia de usar quadros desenhados por pessoas no mundo do todo para a criação de um videoclipe colaborativo de ninguém menos que o Johnny Cash (falamos desse projeto em outro post). Pois a ideia cresceu e ficou ainda mais ambiciosa. Agora ao invés de quadros temos pequenas animações como base e o resultado é muito mais abrangente. 


O This Exquisite Forest usa ferramentas do Google e do Chrome para criar um ambiente composto de milhares de animações que vão se complementando e criando novas ramificações, dando assim ao público a possibilidade de modificar som, visual e narrativa em pequenos fragmentos animados. Abaixo você vê a ideia explicada em uma bela animação (e bem melhor que as minhas frases acima, com certeza).



Outro vídeo detalha o making of do projeto, com entrevistas com os criadores e os primeiros colaboradores.



O site conta com muitas animações diferentes, cada uma com suas próprias ramificações. Aí abaixo algumas delas.







Como você pode ver o resultado é bastante variado e as possibilidades são infinitas. Assim como no projeto do Johnny Cash, as ferramentas para a criação são bem simples, o que por um lado possibilita que todo mundo participe, por outro deixa às vezes o visual meio pobrinho (mas é claro que tem gente que faz miséria com isso). Agora vai lá, entre no ambiente e passeie por essa grande floresta animada. Ah, e se você colaborar com alguma delas, divulgue aí abaixo. Gostaríamos de saber.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Chaves para Hitchcock

Um homem sofisticado numa trama sinistra. Uma loira “gelada” inocente e diabólica. Um plot resolvido apenas no último segundo. Luz e sombra na fotografia. Trilha a la Bernard Herrmann, edição precisa, câmera-personagem, espectador cúmplice. A receita existe, mas se houvesse fórmula para um clássico de Hitchcock, os filmes do Brian de Palma ainda valeriam o ingresso. Não é o caso. 
Se desde sempre o nome do diretor inglês e o termo suspense são considerados sinônimos, em 2013, o dicionário ganha um novo termo: hype. Hitchcock está na moda, na tv, no cinema e provavelmente nas grandes premiações ao longo de 2013/2014. Até o momento temos, entre outras coisas, a produção com Anthony Hopkins e Helen Mirren que conta os bastidores  de “Psicose”, o lançamento do box “Alfred Hitchcock the Masterpiece Collection” com 15 obras-primas em formato Blue-Ray  e um filme da HBO, um tanto mal criticado, sobre sua relação obcessiva com Tippi Hedren. 


Mas em meio a todo o “buzz” surge uma notícia que muito interessa a este blog: é “The White Shadow” de 1924. Os rolos, perdidos por décadas e com autoria desconhecida até 2011, foram doados ao National Film Preservation Fund em 1989, e agora são disponibilizados (os 43 minutos encontrados, pelo menos), via streaming. A direção é creditada a Graham Cutts, mas quem aparece como assistente de direção, montador e cenógrafo é Alfred Hitchcock em, nada mais nada menos que, seu primeiro filme.
Pouco se sabia do roteiro, mas a história de uma irmã “má” que toma o lugar da “boa”, já apresenta alguns toques sutis de sua posterior narrativa: o clima da aristocracia, o jogo de aparências, o trabalho com os atores e a montagem nada monótona. Vale assistir, no mínimo, pelo registro histórico.
Se essa foi sua primeira incursão pelo cinema, termino o post com uma jóia bem mais recente realizada em 2007 por um fã que escreveu e dirigiu um curta (para a cava Freixenet) que mostra o encontro e a execução de um roteiro supostamente perdido pelo mestre… Usando e abusando dos recursos eternizados por Sir Hitchcock, “Key to Reserva” é simplesmente genial. O fã? Um tal Martin Scorsese.
PS: À procura de outras chaves para o universo do mestre? Algumas das melhores estão aqui.           
Enjoy!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O melhor dos video-games com o melhor do cinema

Muito em breve (4 de Janeiro, para ser mais exato) estreia nos cinemas a animação Detona Ralph, da Disney/Pixar, com direção de Rich Moore e voz de John C. Reilly no papel principal (o Ralph em questão). É a segunda obra da Disney que usa um simples jogo de video-game como ponto-de-partida para uma história mais complexa (narrativamente e graficamente); a primeira foi Tron. Desta vez os jogos clássicos dos consoles acabam também virando personagens e o resultado tende mais à comédia e à diversão.



O namoro entre video-games e cinema não para só aí. Recentemente vimos dois dos maiores nomes do cinema (e gênios na arte da montagem, devo acrescentar) assinarem publicidades de dois jogos, em bons exercícios de linguagem. O primeiro caso é dirigido por Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch e outras tantas maravilhas) e o jogo em questão é o Call of Duty: Black Ops 2, que será lançado na semana que vem. (Atores como Galifianakis e Downey Jr. também fazem suas participações especiais).



Já David Fincher (de Clube da Luta e A Rede Social -que ganhou oscar de edição, se você bem se lembra) e Tim Miller (responsável pelos geniais efeitos do Scott Pilgrim) trazem até você o trailer do novo jogo da franquia Halo, que promete mais uma vez reinventar o mundo dos video-games. Enquanto o filme não chega (e a novela de quem seria o diretor e quando diachos ficaria pronto não acaba), nada como um vídeo (e um jogo desses) para acalmar os ânimos dos fãs da saga. Aproveite.