segunda-feira, 18 de abril de 2011

Garotas Suecas e Delafe y las Flores Azules. São Paulo e Barcelona.

Aí pra um ano e meio atrás troquei Barcelona por São Paulo, depois de dois anos fora. Troquei (para o bem e para o mal) o Eixample e sua Sagrada Família pela Vila Maladena e seus Filiais. Saí do Rec e do Orfanato para cair na Tropa de Elite 2 e no Lula, o Filho do Brasil. Ou, em termos musicais, saí do Delafe y las Flores Azules para cair nas Garotas Suecas (sem duplo sentido aqui).

Para efeitos de ilustração, abaixo um dos últimos videoclipes dos Garotas Suecas, gravado bem no coração desta atual (para mim) Vila Madalena, no famoso Beco do Batman, em um plano-sequência com manipulações em pós de velocidade (o que gera aqui um efeito interessante).



E se juntar os amigos e fazer um plano-sequência trucado (amigo também do baixo orçamento) é o tema da vez, conheçam os Delafe y las Flores Azules, uma das bandas mais interessantes da cidade condal (também visualmente), que já gravaram até com o Blogoteque. O final do videoclipe é o grande barato da coisa, lembrando o genial curta-metragem francês O Balão Vermelho do Lamorisse (ou mais recentemente o Up da Pixar).



Outro videoclipe da banda que também usa da edição para fazer algo interessante é o Espiritu Santo, música mais calminha que usa o corte para mudar a ação e a pessoa (e aqui também entram os muitos amigos da banda) e no final, apela pro crowdsource para multiplicar o efeito (lembrando o famoso Where the Hell is Matt? de uns tantos anos atrás).



No final, as duas bandas podem ser resumidas como futuras apostas das duas cidades (e dos dois países?), visualmente próximas e com algumas ideias interessantes nos videoclipes. Mais interessantes até que as próprias músicas, meio "poéticas" ou caetânicas demais pro meu gosto.

Este post é também uma homenagem ao finado Link to Think, blog que acompanhei e colaborei algumas tantas vezes e que fazia muito bem esse diálogo entre as duas cidades.

E se esse blog pretende colocar o audiovisual em palavras, outro que dialoga com este tema e que eu recomendo é o Músicapavê (ainda por cima trocadilheiro), que mostra áudio para ser visto (e usa como base para isso também os videoclipes, por tantas vezes objeto deste blog). Tá dada a dica.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Um novo Lars Von Trier enquanto o mundo não acaba

Pare o que está fazendo.

Está no ar o trailer para o novo filme do Lars Von Trier, o Melancholia. Desta vez com uma seleção de bons atores, como Kirsten Dunst (Homem-Aranha), Charllote Gainsbourg (Anticristo), Kiefer Sutherland (24 Horas), Charlotte Rampling (Swimming Pool), John Hurt (Harry Potter) e os dois Skarsgard (como coloca uma bola em cima do "a"?), Stellan-pai-(Thor) e Alexander -filho- (True Blood). E claro, pode ficar tranquilo (se você é fã dos filmes do Lars, como eu), o Udo Kier continua no elenco (já o mesmo não pode ser dito do Jean-Marc Barr).


Pela definição, é algo entre o Festa de Família e o 2012 (se é que isso não poderia caracterizar quase todo filme). Nas palavras dele: "a beautiful movie about the end of the world" (ou: um bonito filme sobre o fim do mundo).

Confiram o resultado abaixo:


Agora, é torcer para estrear logo nas nossas salas.

Ps. sempre que colocam os atores com algum exemplo de filme já feito por eles, como eu fiz aqui, acabo formando uma imagem conjunta de todos eles. Nesse caso, não sei o que daria entre o cruzamento do Thor, do Homem-Aranha e do Harry Potter com o Swimming Pool e o Anticristo. Ficaria algo bem estranho. (Mas provavelmente nem perto de ser tão estranho -ou tão bacana-como o filme que o Lars Von Trier deve entregar desta vez. Vai por mim.)

terça-feira, 29 de março de 2011

Conheçam JT, o macaco-editor

"Até um macaco conseguiria editar este filme?"

Conseguir, agora sabemos que sim (o que pode ser uma ótima notícia, inclusive). Eis abaixo um "criativo" vídeo de surf editado por JT, o chipamzé. Segundo a descrição do vídeo, eles "deram os controles do Final Cut Pro para o animal e ele rapidamente dominou o processo de edição. JT prefere cortes rápidos e som ambiente".


O que eles não comentam é quanto tempo JT demorou para exportar o vídeo e fazer o upload para o Youtube. Como toda pessoa sabe, o trabalho de um editor de vídeo é 10% a edição em si e 90% brigas com codecs, renders, definição de formatos de captação vs. formatos de edição, problemas com o final cut que cai toda hora e coisas do tipo.

Em muitos casos desse nosso monótono cinema e de nossa velha e pobre televisão, acho que podíamos deixar JT editando e chamar um editor só depois, para subir para o Youtube ou passar para a fita. Fica a dica.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Os geniais efeitos visuais de Cisne Negro (contém spoilers, já aviso)

Você não se perguntou durante o Cisne Negro onde infernos estariam as câmeras (e todo mundo que trabalha ao lado dela) naqueles muitos planos no salão de ensaio, cheio de espelhos? Ou não se perguntou se era mesmo a Natalie Portman que dançava aquilo tudo? Ou mesmo, como eles faziam todos aqueles efeitos da "transformação", que conseguiam ser ao mesmo tempo artísticos e realistas?

Pois aí está um belo vídeo de making of para nos ajudar.



O legal do vídeo é que mostra o truque cinematográfico ao mesmo tempo que mostra como a mensagem foi ampliada por essas muitas camadas feitas em pós-produção (como no caso do belíssimo plano da tatuagem de asa, por exemplo). Como falado no post anterior sobre a série In Treatment, esse tipo de coisa (como imaginar onde estaria a câmera em muitos planos, por exemplo) pode não ser imaginado ou mesmo cogitado por um espectador comum, mas serve para ampliar a reflexão sobre as imagens e gerar novas possibilidades narrativas. Ainda mais no caso do Cisne Negro, em que a história da bailarina e a interação com o instrutor de ballet (vivido pelo genial Vincent Cassel) apontam claramente para a relação da atriz com a personagem (que em alguns casos pode consumir demais a pessoa que interpreta, que começa a confundir os "papéis" - como no caso Heath Ledger/Coringa, imagino); e na relação própria entre a atriz e o diretor, que às vezes joga com o psicológico da atriz para alcançar o resultado desejado.

A pós-produção e montagem ajudaram no caso do filme a expandir essas possibilidades, jogando novas "camadas" de profundidade em uma já profunda história.

Ps. pros que se interessarem em ampliar o conhecimento sobre o filme, recomendo ver no Youtube uma longa entrevista (de quase UMA HORA de duração) com o diretor de fotografia Matthew Libatique, o montador Andrew Weisblum e o diretor, Darren Aronofsky, falando de forma quase informal sobre os diferentes aspectos do filme (clique aqui se quiser ver). Há outra com Natalie Portman, de pouco mais de meia hora que é também bem interessante (ela responde a pergunta "Você chegou a discutir com o Aronofsky se você realmente morre no filme?", já aviso) - para ver, clique aqui.

Ps2. Também falei do Cisne Negro em outro post, mas rapidamente, comentando os indicados ao prêmio de montagem do Oscar.
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Atualizado em 29/03:
Uma ressalva: o vídeo que você vê acima não é o mesmo que eu tinha postado originalmente. O vídeo que eu tinha colocado acabou sendo tirado do ar e as únicas opções encontradas na Internet hoje em dia são vídeos oficiais da Fox. Há uma explicação para isso: enquanto Benjamin Millepie, marido de Natalie Potman e bailarino no filme, diz que a participação dela foi de pelo menos 85% nas cenas de dança, Sarah Lane, a dublê de corpo, fala que é algo como 5% (essas declarações vieram depois da premiação do Oscar, obviamente). No vídeo original dava para ver a troca do rosto de uma pela outra em pós-produção (daí porque eu falo no início, inclusive, sobre ela dançar ou não aquilo tudo). O vídeo atual continua interessante, mas substitui as cenas de dança por outras cenas com os jogos de espelho, em que se mostra o terror da personagem (efeitos para mostrar o irreal, o psicológico) mas não a dança e outros planos mais simples (aqui reais, em teoria). Aqui há mais informações sobre o caso, para quem quiser (em inglês).

quinta-feira, 10 de março de 2011

Quando o roteiro, a direção e a montagem são executados com maestria. (ou: as idéias por trás da primeira temporada de In Treatment)


Me deram alta. Hoje finalmente acabei de ver a primeira temporada da série In Treatment (aqui Em Terapia), produção da HBO (atualmente em cartaz em sua terceira temporada). Se você não conhece eis aqui uma rápida publicidade desta primeira temporada da série:



E se você não sabia, a série é uma adaptação de uma produção israelense feita três anos antes com basicamente os mesmos personagens e conflitos desta primeira temporada americana. Aqui a apresentação (mais detalhada que a anterior) da série original:



Algumas idéias que me fizeram ficar viciado na série:
1. O formato é genial. Episódios curtos, de menos de 30 minutos, que vão ao ar de segunda a sexta, cada um deles com o paciente do dia (o de sexta é para supervisão, ou seja, ele é o paciente). Isso não só é um fator viciante como dá um dinamismo bem grande à série; muitas vezes você se pega querendo pular uma semana para descobrir logo o que acontece com o personagem (o que eu na verdade não recomendo).

2. Há ali todo tipo de conflito: amoroso, profissional, familiar, etc. Cada hora você acha que tem mais a ver com um paciente (e um tipo de conflito) e isso costuma variar bastante ao longo da temporada.

3. O roteiro é primoroso. Diálogos objetivos, que conseguem prender e instigar o espectador ao mesmo tempo que garantem bom ritmo e soam naturais em quase todo o tempo (pelo menos para mim), tendo bom desenvolvimento ao longo da temporada.

4. Ao ver o filme Inception/A Origem, de Christopher Nolan, me perguntei se aquilo não poderia ser mais denso e mais perturbador (sendo também mais efetivo), entrando mais na cabeça (aqui também literalmente) dos protagonistas e expondo os conflitos, sem tantas explosões e tiros para tudo que é lado. Algo que seria no final das contas mais complexo e feito, possivelmente, de forma mais barata, já que você não cria tantas situações mirabolantes. Seria algo como o eXistenZ do Cronenberg, só que não tão viajado ou bizarro.

Pois bem, o In Treatment entra nessa categoria. Por que não gastar a meia hora do episódio focando apenas na interação entre as duas pessoas, em um ambiente fixo, sem maiores ações, flashbacks ou representações fictícias do que está sendo falado? Essa era a proposta da série e me parece extremamente efetiva. É dado ao espectador o poder da imaginação (assim como trabalha o psicanalista diariamente) e essa é a graça da coisa.

5. (e aqui chegamos ao tema central deste blog) A série é um ótimo exercício de direção e principalmente, de montagem. Ao trabalhar basicamente com diálogos, um único ambiente, sem maiores apoios cenográficos, com apenas dois atores, sentados, falando por meia hora, é preciso representar os movimentos que, em um processo psicanalítico, representam coisas -falam tanto quanto o diálogo- além de dar bom ritmo e prender o espectador.

Há dois pontos que me parecem especialmente representativos dessa idéia e que ilustram possivelmente as duas coisas mais complicadas do trabalho de montagem:

a. Ação/reação. Um exemplo claro disso tínhamos também nos filmes (também só de diálogos) Antes do Amanhecer e Antes do Pôr-do-sol, dirigidos por Richard Linklater. Ao colocar duas pessoas também conversando durante toda a duração do filme, eles tinham que, a todo tempo, mostrar a pessoa que fala (e que sugere algo) e a que que reage (aceitando ou rechaçando algo). Mais que isso, eles tinham que representar em gestos o que não é dito: um olhar que provoca; um não que quer dizer sim; uma levantada de sobrancelha desconfiada. E aí está boa parte do trabalho do montador, sabendo quando mostrar a ação e quando sugerir a reação, durante um diálogo, optando cada hora por um plano diferente. A mesma preocupação existe na série.

b. Quebra de eixo/direção do olhar. Eis uma das coisas mais dificilmente explicadas em aulas de direção e que o montador tem que estar a toda hora atento durante o processo. Ao inverter o eixo da câmera, colocando ela numa posição oposta ao sentido em que estava (em relação à ação), mudam-se as direções de olhar e sentido da ação, confundindo o espectador. O que em geral se atém para não parecer um erro, na série é usado com sentido narrativo. Ao trocar de uma hora para outra o eixo da câmera, passando para o outro lado da ação (do ombro esquerdo para o direito do analista, por exemplo), os olhares dos personagens trocam de direção, fazendo com que estes assumam posturas diferentes. O que antes estava em uma posição de defesa (e olhava para a esquerda da tela em boa parte das vezes) passa a assumir posição de ataque, olhando para o lado oposto. É um fator desconhecido para boa parte do público (que não percebe como tal) mas que certamente acaba influenciado por este tipo de linguagem (ou ao menos temos a tendência a pensar que sim). Dá de qualquer forma uma intenção para cada plano (e aqui valoriza o trabalho do diretor), além de um ritmo e uma dinâmica muito interessante (e o do montador também). Fica muito mais legal analisar o diálogo quando você está ciente dessas coisas; e pode interpretar que papel cada personagem está desempenhando nos diferentes momentos da série.

Tá dada a dica. (se quiser, clique aqui para ver em streaming o primeiro episódio - e ficar viciado para sempre).

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O oscar de montagem (ou: entre Inception e Social Network fico com Scott Pilgrim)

Contrariando a lógica de que o filme que vence o Oscar de montagem também ganha direção e melhor filme (lógica que prevaleceu ano passado com o Guerra ao Terror de Kathryn Bigelow, como falamos aqui), este ano tivemos A Rede Social premiado nesta categoria, enquanto os outros dois prêmios ficavam para O Discurso do Rei, de Tom Hooper. Outra coisa que também não aconteceu foi montagem ser premiada junto com categorias mais técnicas como as relacionados a som e efeitos especiais (aqui deu A Origem de Christopher Nolan -que não foi indicado como diretor, inclusive).


Logicamente os montadores Kirk Baxter e Angus Wall têm seus méritos, já que conseguiram dar bom ritmo e tornar bastante interessante um filme feito basicamente em cima de diálogos. Confira abaixo uma entrevista feita com os dois no momento seguinte à premiação. Aí eles comentam um pouco sobre essa dificuldade de trabalhar com muito texto; sobre o trabalho com David Fincher; e lamentam o diretor não ter levado no momento seguinte ao deles o prêmio também.



Mas se no post do ano anterior eu lembrava da não indicação de Redacted, de Brian de Palma para a premiação nesta categoria (o que já me parecia bastante estranho), este ano acho revoltante não termos Scott Pilgrim contra o Mundo, de Edgar Wright disputando a estatueta. Um filme atual e inovador, com uma quantidade assustadora de novas idéias por minuto, bem dirigido e bem adaptado do universo da HQ, com ritmo impressionante, apoiado em muitos efeitos e elementos gráficos diferentes. Um filme difícil de fazer e que se relaciona, na minha opinião, muito melhor com esse universo virtual/eletrônico atual, de tantas músicas em mp3, jogos de video game, televisão e Youtube (e faz isso através de um uso animal da montagem). Universo este que deveria também estar representado em A Rede Social, já que se relaciona com a história do Facebook, meio que junta todas essas mídias. A Rede Social usa da rapidez e agilidade da interação das redes sociais e é um filme inteligente e bem estruturado, mas é um filme de texto, de diálogo, careta portanto em certo sentido.

Se você acha que estou forçando a barra e a coisa não é bem nestes termos, veja abaixo então um extenso vídeo sobre os diferentes efeitos presentes no Scott Pilgrim, comentados pelo diretor de arte Nigel Churcher. (No Youtube também tem um making of de quase 50 minutos com detalhes do filme, para quem quiser se aprofundar mais).



Com isso, acho que a premiação do Oscar que vimos ontem ficou ainda mas sem graça, já que nela vimos poucos filmes competirem entre si em quase todas as categorias, sendo que muitas delas a vitória já era dada como certa por um deles muito antes de ser anunciada (como foi no caso de Toy Story 3). Mais competidores dariam mais dinamismo para a premiação, além de mostrar aos telespectadores que Hollywood não vai tão mal das pernas assim.

Em tempo: cabe aqui algumas ressalvas. Confesso que não vi ainda o 127 horas de Danny Boyle, diretor este que soube jogar incrivelmente com a montagem em diferentes filmes; seja com a lógica televisiva/bollywood em Quem quer ser um milionário?; seja com o irregular A Praia, em que víamos uma viagem de Leonardo DiCaprio inspirada também nos jogos de video game; ou no inquestionável Trainspotting. Muitos já me falaram que 127 horas cumpre o esperado.
Outra coisa é que também não mencionei Aronofsky e seu excelente Cisne Negro, filme magistral de outro diretor que sabe usar a montagem como poucos -Réquiem para um sonho e Pi são exemplos claros disso- e Cisne Negro não foge à regra. De um modo ou outro podemos dizer que a disputa estava mesmo acirrada. Se por um lado faltou Scott Pilgrim, por outro sobrou talento em poucos (e grandes) nomes.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dexter, quadrinhos e internet


Pouquíssimas são as adaptações de HQs no cinema que conseguem fazer com que o espectador tenha uma experiência tão interessante quanto a que este tem em frente aos quadrinhos. O próprio fato do leitor juntar na sua cabeça uma imagem com a seguinte no gibi já obriga uma relação mais profunda, menos passiva que a do espectador comedor de pipocas (alguns chegam a dizer que a relação com o gibi é obrigatoriamente interativa). Os dois melhores filmes a tentarem uma experiência algo mais inteligente, na minha opinião, foram na verdade dois grandes fracassos: o primeiro é o Hulk do Ang Lee, condenado pelo CG terrível -e pela presença do Eric Bana-; o segundo é o Scott Pilgrim, que quase não entrou nos cinemas brasileiros e foi ignorado pela presente edição dos Oscars.

Eu achava que o cinema jamais conseguiria adaptar fielmente (ou criativamente) o trabalho de ilustradores como o Dave Mckean (das capas do Sandman) e Bill Sienkiewicz (de Elektra Assassina e Asilo Arkham). Bom, o primeiro já teve sua chance na direção com o Máscara da Ilusão (2005), filme que tentou usar o 3D de forma diferente, segundo ele feito por menos pessoas, com o intuito de ser mais "autoral", mas com um resultado cansativo e bastante irregular. Mas eu nunca tinha visto nada feito pelo segundo.

Não até os seis webisodes que ele assinou, no final do ano passado, para a ampliação do universo da série Dexter. Mesmo com uma animação simples e um roteiro fiel à estrutura da série mas pouco aberto a experimentações narrativas, os belos desenhos conseguiram gerar um bom clima e são, de qualquer forma, um uso criativo de uma série de TV (voltado neste caso exclusivamente para a Internet). Pros que ainda não tinham visto, vejam o primeiro episódio da série abaixo e na sequência o making of (que ele não aparece). Para ver os demais episódios, clique aqui.





E já que estamos falando de Dexter, veja também a música que o Pogo (falei mais dele aqui) fez em cima dos ruídos e barulhos da série, em outro bom exercício de edição.