O músico canadense Chad Vangaalen mal sai da sua cidade natal, Calgary. Faz um som calmo, trabalhado, próximo ao de bandas como Fleet Foxes ou Iron & Wine. Atualmente pela Sub Pop, já conta com quatro discos no currículo (o último é de 2011). Mas o melhor de tudo é que além de músico ele também é ilustrador e animador, com um estilo talvez mais interessante que o musical.
Combinando as duas vocações (a musical e a visual) ele cria um outro universo, cheio de seres mágicos, natureza exuberante e seres coloridos (ecos de Avatar talvez?), que poderia muito bem lembrar o cartunista francês Moebius ou o animador japonês Hayao Miyazaki (de A Viagem de Chihiro e Ponyo - Uma Amizade que veio do Mar), dois gigantes das artes visuais.
Fiquem abaixo com alguns dos belos trabalhos do artista (no sentido mais amplo da palavra).
ps. Fica aqui o agradecimento ao amigo Luis Fernando que sempre ajuda esse blog com umas tantas belas dicas.
Eles lançaram um dos bons álbuns de 2011; fizeram um videoclipe com belas sacadas de edição e alguns vídeos legais para o La Blogothèque (aqui explicados em detalhes); e ainda encerraram o ano fazendo curadoria para a edição natalina do festival inglês ATP (ao lado das bandas Caribou e Les Savy Fav). E mais: os Battles conseguiram desenterrar o Gary "Cars" Numam para uma insólita parceria em uma das poucas faixas cantadas do novo álbum (mas que até acabou funcionando). Em outro belo videoclipe do grupo, vemos um plano-sequência trucado, com planos de câmera bem diferentes e situações meio surreais. Merece portanto nosso destaque (e nosso respeito) como das boas coisas que aconteceu neste 2011.
Nas ideias fracas e sem sentido de 2011 não resta outra a não ser o bizarro encontro entre o agora morto-vivo Lou Reed e uns também desenterrados Metallica. Como explica Lars Ulrich no vídeo abaixo, o projeto nasceu sabe Deus da onde e vai levar eles sabe-se lá para que infernos (e se ele não sabe o como, nós nos perguntamos o porquê). Ainda fica frizado com cara de bobo depois, para melhorar a explicação (aqui sim um acerto do editor do vídeo promocional).
Pior ainda é constatar que nem o genial Darren Aronofsky (diretor do Cisne Negro, que rendeu um Oscar a Natalie Portman esse ano), conseguiu ajudar alguma coisa no primeiro videoclipe oficial do projeto para a suposta melhor música do disco. Se no filme ele acertava, com diferentes sacadas de edição para apoiar uma atuação exemplar e uma história instigante (como falava outro post), aqui ele não gera nem muito ritmo, nem planos bem pensados ou bonitos (e ainda deixa o Lou Reed parecendo mais estranho do que já está). Uma lástima para encerrar o ano.
De qualquer modo, ficam aqui meus votos de felizes festas, comemorações e afins. Que 2012 nos surpreenda positivamente (e deixem os velhinhos músicos envelherecem em paz, por favor).
O começo tenta ser suave, tons neutros, quase sépia. Não usam cortes secos; ao invés disso, "esfumaçam" os cortes com fusões por cores, integradas aos planos, que mostram os detalhes dos instrumentos e escapam para os fundos.
Quando a música começa a "pegar", bateria entrando mais forte, cortes rápidos começam a aparecer e aí sim um corte seco transporta o espectador para outro plano, outra fotografia, outra ideia: enquanto um adolescente corre pelas ruas, takes da cidade entram em edição bem rápida -acompanhando a batida da bateria- e planos compostos (simulando mosaicos) da banda se misturam a tudo isso.
Do meio pro final vemos o elemento fantástico criado para o videoclipe: o que seria o rosto do adolescente é na verdade um mosaico de olhos, boca e nariz, composto estranhamente e bem integrado à imagem. A banda fala que para isso usou como referência o trabalho do artista Jeremy Olson, mais precisamente sua série de quadros. Lembra para mim (e lembrará claramente para qualquer apreciador de videoclipes) alguns trabalhos do inglês Chris Cunningham, neste caso muito menos perturbador.
O final do videoclipe é uma mistura de todas essas linguagens, acelerando o ritmo da edição até o plano final, onde acontece o que poderia ser encarado como o desfecho da história (e a composição e o efeito 3D estão aqui, mesmo que de forma mais simples, bem empregados).
Isso é o que se vê no videoclipe para a música Nova Leigh, destaque do segundo álbum da banda canadense Born Ruffians.
O videoclipe pode ser considerado um trailer para o trabalho musical da banda e as demais ideias artísticas que eles usam. Não só o tratamento empregado aqui em vídeo dialoga com a capa do disco (há ali o mesmo mosaico com partes do rosto), como a música também apresenta muitas nuances existente nas demais faixas (vai do calmo ao mais ritmado, mudando também de estilo).
A música no fim é a responsável por dar a unidade a todas essas ideias visuais e o resultado é positivo. O videoclipe pode ser também encarado como um manual de muitas ideias diferentes de edição e, só por isso, já merece o nosso respeito. Ponto para eles.
Ok, fui só no domingo. Então Sonic Youth, Primus, Megadeth e Faith no More estão fora da disputa. E o melhor show do dia que eu vi acabou ganhando no WO, já que o Modest Mouse não apareceu por problemas logísticos (segundo a organização). Não falo da louca da Courtney Love, que entre um discurso, um desfile de moda e uma discussão de relacionamento (sem qualquer um dos respectivos) tocou uma música ou outra (tocou?); ou do Duran Duran, do Peter Gabriel ou da briga com o Ultraje a Rigor. O melhor show do dia aconteceu à tarde, ainda claro, no palco menor. O nome da banda? !!! ou Chk Chk Chk (como você achar melhor).
No show em questão o vocalista Nic Offer ofereceu ao público (trocadilho bilingue aqui) um show memorável. Não bastasse ter as melhores sequências de dança já vistas, ainda pulou do palco e se juntou ao público pelo menos umas quatro vezes (o vídeo feito para o show do SXSW mostra também essas duas características dele).
O grupo nova-iorquino faz um som alegre, dançante e despretencioso e já conta com quatro discos no currículo. E o melhor: sabem também fazer videoclipes. E com geniais truques de edição. Como no clipe para "Jamie, My Intentions are Bass" que você vê a seguir.
Truques de edição bem simples e bem compostos dão a graça da coisa. No vídeo de making of (também muito bem editado) eles mostram as ideias e a equipe por trás de tudo isso (educativo, inclusive).
E como se já não bastasse, deixo vocês com Nicasso, the Wonderful, vídeo que mostra que o vocalista, além de cantar, dançar e empolgar públicos de festivais mundo afora, também ataca de mágico (fazendo interessantes truques -aqui, de edição).
Vídeo bacana, animado de forma bem simples, que mostra uma batalha entre muitas capas de disco (a maioria dos anos 80/90). Não só a ideia é interessante e bem executada como vale para lembrar dessa saudosa época em que as capas de disco eram realmente importantes. Dali vinham, em muitos casos, todo o conceito visual das bandas, que demoravam muito para chegar em países como o nosso (se chegavam) e nem sempre tinham videoclipes de suas músicas (ou não tinham um canal muito apropriado para mostrar eles). Como é o caso dos Dead Kennedys, por exemplo, que através do famoso símbolo (que aparece no vídeo), ilustrou infinitos cadernos no meu colegial, tornando aulas de biologia muito mais prazerosas (ou menos tediantes).
Expectativa para o show do The Sea and Cake, que logo mais toca no Sesc Pompéia, em São Paulo. Banda de Chicago que faz um som calmo e bem criativo. Já contam com oito álbuns no currículo (existem desde 94), todos muito acima da média. Everybody, álbum de 2007, é certamente um dos meus álbuns prediletos, destes que são bons do início ao fim (coisa rara nos dias de hoje).
Pros que não conhecem, abaixo um excelente videoclipe da banda, para a música Weekend, presente no último álbum, o Car Alarm, de 2008. O ritmo da edição e das imagens acompanha bem o ritmo da música, no geral lento mas também criativo. Imagens bem captadas, que até lembram o Suburbs do Arcade Fire, mas aqui, nada de exércitos, histórias mais complexas ou outras aplicações (como o média metragem que apareceu depois). Apenas o registro desses bonitos momentos da adolescência, ordinários e ao mesmo tempo cheios de significados.
Se os shows do OK GO, do Foals e do Metronomy, vinham depois de videoclipes meio malucos, cheios de ideias visuais e maiores produções, para o de hoje espero apenas um bom show, sem muita produção, mas com um belo conteúdo (como é o caso do videoclipe acima).
A base: uma jogada ruim envolvendo um jogador ainda pior (ou: uma trombada meio bizarra envolvendo o jogador senegalês Hadji Diouf, famoso por cuspir em diversos adversários e torcedores -entre eles um menino de 11 anos- além de jogar futebol -na jogada em questão atuava pelos Glasgow Rangers).
O desafio: vendo o potencial divertido da jogada, um internauta limpou quadro a quadro a imagem, deixando só o jogador em questão e desafiou, em um fórum na Internet, as pessoas a bolarem possíveis explicações visuais do que poderia ter acontecido.
O resultado: centenas de gifs animados em que vemos diferentes manipulações dessa imagem, envolvendo em sua maioria referências a videogames e filmes, em um exercício extremamente divertido (e criativo). Abaixo uma compilação de muitos deles.
Mais um bom exemplo de manipulação feita em pós-produção, usando um software muito simples (o Photoshop), em que vemos que mais legal do que produzir, muitas vezes pode ser manipular.
Lembra a manipulação feita em photoshop para os Thundercats (que você viu AQUI). E para mim tem também bastante relação com o tipo de montagem feito no excelente Scott Pilgrim Contra o Mundo, que usava muitos elementos de jogos de videogame interagindo com a ação filmada (ideia já presente nos quadrinhos), como você viu AQUI.
Trabalho com edição e montagem há mais de 10 anos. Sou formado em RTV pela FAAP e concluí em 2009 um mestrado em Ficção em Cinema e TV em Barcelona, pela Facultad de Comunicación Blanquerna, com tese voltada para a montagem cinematográfica. Acho que a montagem um dia ainda vai dominar o Mundo (ou pelo menos está mudando o Cinema). E por causa disso, consigo até me divertir vendo os filmes do Peter Greenaway.
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