segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Coma, Aprenda e se Movimente (com 3 vídeos)

Não é Comer, Rezar, Amar. Mas quase. EAT, LEARN e MOVE são três vídeos curtos feitos por 3 caras australianos que rodaram o mundo em 44 dias, passando por 11 países - e agora deixam os registros do que viram por aí. Os vídeos tem imagens bem bacanas; ideias de edição e composição interessantes (que mais tem a ver com a captação que fizeram do que com truques de pós-produção); temáticas e ritmos acessíveis a todo mundo (o que certamente encanta desde o adolescente sonhador ao tiozão adorador de mensagens fofas feitas no powerpoint); um sujeito com cara de bom moço; e uma música enjoativa que só (não?).

O primeiro deles é o MOVE, que ilustra bem os diferentes lugares que eles passaram através de boas sacadas de captação e edição.

MOVE from Rick Mereki on Vimeo.


EAT tem também boas ideias gráficas (já usadas em publicidades, devo dizer). Acaba virando meio wannabe de Jamie Oliver, não acham? Já vejo um programa desse cara no Discovery Travel & Living...

EAT from Rick Mereki on Vimeo.


E o terceiro e último vídeo é o LEARN. Tem boas imagens mas não tem lá muitas sacadas de edição; e essa musiquinha já começa a dar nos nervos, ficando ppt demais pro meu gosto.

LEARN from Rick Mereki on Vimeo.


De qualquer modo os vídeos são bons exercícios audiovisuais, foram bem executados e conseguem passar uma mensagem simples para TODO mundo. Tanto é que eles já conseguiram 3 milhões de visualizações em apenas 5 dias (nada mal, não?).

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Fazendo imagens com vídeos dos outros (ou: generative video painting)


No melhor estilo corta-e-cola, o artista espanhol Sergio Albiac monta imagens artísticas usando pedaços de vídeos de outras pessoas. Ele montou o que ele mesmo chama de generative video painting ou, em espanhol, pintura video generativa. Circulando por diferentes áreas artísticas e usando o computador como ponto-de-partida, chega a resultados interessantes e bastante inovadores. Na sua página, fala mais sobre como vê o processo de criação:

Meu processo de criação habitual se caracteriza por escrever programas de computador que gerem imagens. Uma vez que a idea se transforme em código de computador, busco e seleciono os resultados visuais que melhor expressem meu tema. Às vezes, essas imagens geradas são o trabalho final e em outras, utilizo os programas como uma espécie de caderno de rascunho para visualizar os conceitos antes de pintar um quadro. Como dou muito valor à liberdade de expressão artística, não me sinto obrigado a me limitar a um único meio ou estilo. Por isso utilizo meios tradicionais ou "new media" para expressar minha visão artística.

O método de pintura gerada por vídeos, que ele criou, consiste em se apropriar de muitos trechos diferentes de vídeos disponíveis no Youtube e combiná-los, como se fossem códigos de computador, para chegar a uma imagem específica. O resultado pode lembrar a fragmentação do cubismo ou o sentido simbólico da pop art.

Veja abaixo as duas imagens criadas até hoje por ele, que usam vídeos genéricos ou sem muita importância (são os vídeos mais populares do Youtube em um dado momento) para criar a imagem da rainha da Inglaterra e da Marilyn Monroe (o que lembra as imagens de Andy Warhol). Para formar a imagem de forma mais clara, abstraindo um pouco mais os detalhes em vídeo, recomendo fechar os olhos, deixando uma pequena fresta, ou afastar bastante do monitor. O exercício de perceber uma coisa ou outra é bem interessante.





Me parece especialmente interessante as possibilidades e o alcance que o experimento pode gerar. Usando pequenos pedaços de diferentes vídeos, você está dando destaque não só à imagem final como também a esses pequenos pedaços, muitas vezes identificáveis. Ele descreve e valoriza a ideia de que ele utiliza o banal para criar algo majestoso (o vídeo genérico do Youtube criando a imagem da Rainha da Inglaterra, por exemplo). Jogando com essas variáveis ele poderia ser ainda mais provocativo (efetivo?) se, por exemplo, usasse vídeos pornôs, imagens de violência, símbolos do punk (que já atacaram a imagem da rainha) ou qualquer coisa do tipo para criar a mesma imagem. Acaba fazendo nos dois casos uma composição mais cromática que poderia ser também política. Mas abre todas essas possibilidades em um exercício de bom resultado, que brinca com edição de vídeo, que é a graça da coisa.

Ps. O blog Musicapavê, amigo deste, também fez um post recentemente falando sobre artes feitas com composições de imagens e objetos, relacionadas ao universo musical. Cita ali também Andy Warhol e mais: Vik Muniz, Mr Brainwash (do genial documentário Exit Through The Gift Shop) e Sandhi Schimmel (clique AQUI para ler). Depois de ver os dois casos, é interessante imaginar como ficariam as imagens mostradas ali, feitas com a lógica de vídeo do Sergio Albiac, não acham?
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Atualizado em 22/07
Perguntei para o Sergio Albiac no Vimeo o que ele pensaria sobre usar um mesmo tipo de vídeo como base para as imagens. Eis a resposta:

"Muito obrigado Ricardo. Tengo control total de los videos que elijo, no tanto de las secuencias que se utilizan. En este caso, los videos populares de internet de un instante dado eran adecuados para el significado que buscaba. Otros videos de origen conllevarían otros significados - como los que apuntas tu. Y sí, sería provocativo, como ha explorado Jonathan Yeo en sus collages, por ejemplo"

Sim, o que eu pensava era mesmo parecido com o trabalho do tal Jonathan Yeo, que eu não conhecia (obrigado, Sergio). A coleção Porn in the USA é exatamente isso. Clique AQUI para ver as obras na página oficial dele. Recomendo!

terça-feira, 12 de julho de 2011

Ida Maria e Cults: Oh my god!

Ida Maria e Cults

Mais um videoclipe para a série "grave qualquer coisa e depois tente criar um videoclipe bacana na edição". É o que faz a norueguesa Ida Maria (que apesar de nova sempre me lembra os nomes de duas avós que fazem parte da minha família) para o videoclipe Oh My God. É só a banda tocando, em um espaço genérico. Mas o videoclipe tem umas tantas sacadas de edição, que fazem a graça da coisa. Saca só.



Oh my god é também o nome de uma música dos Cults, banda novaiorquina que lançou não faz muito tempo seu primeiro álbum e já chama alguma atenção (não confundir com o gótico e oitenteiro The Cult). A música faz parte do Adult Swim Singles Program, que disponibiliza para download uma música por semana de artistas alternativos, patrocinado pela Kia, associado à franquia do Cartoon Network (você pode baixar música e disco no canal deles). O programa também é responsável pelo videoclipe, simples mas interessante (alguns poderiam dizer que é fofo), mas sem lá muitas ideias interessantes em relação à edição.



Outro clipe dos Cults já tem ideias mais interessantes de edição e é feito com uma produção mais elaborada: o vídeo para a música Abducted, primeira faixa do disco, mistura situações surreais, composições simples de imagens e temática próxima ao universo de David Lynch - estradas, personagens e situações estranhas, neblinas, alusões a sonhos, morte, etc.

Lembra também o videoclipe do The Dodos para a música Companions (que você viu AQUI). Confira abaixo.


segunda-feira, 4 de julho de 2011

O filme do Gainsbourg, Joann Sfar e porquê os cartunistas um dia revolucionarão o cinema

Estreia nesta sexta-feira o filme "Gainsbourg - O Homem que amava as Mulheres", dirigido pelo cartunista Joann Sfar. Antes de tudo uma ressalva: me parece descabido (como sempre acontece) a tradução do título. No lugar de vida heróica colocaram o homem que amava as mulheres, emprestando o título do filme do Truffaut de 1977 para ampliar o apelo sexual que o filme tem, contando que a estratégia pode garantir mais entradas (e mais dinheiro). Sai o herói, entra o mulherengo. Sai o cartunista e músico de sucesso, com carreira brilhante, entra o cara (sortudo) que ficou com duas das mais belas mulheres da história recente: Brigitte Bardot e Jane Birkin.



Pois é com maestria que Joann Sfar, em sua estreia cinematográfica, consegue retratar todos esses lados da mesma pessoa, de forma leve, descontraída, sem se levar muito a sério (o que tem a ver, penso, com o jeito como Gainsbourg encarava todas as coisas). Não é a história oficial e verdadeira de Gainsbourg (como o diretor faz questão de anunciar no filme), senão uma interpretação livre e criativa de algumas das histórias relacionadas a ele, "um dos maiores artistas do século XX, que reinventou a música e o amor", como descreve o (belo) trailer.

Mas onde o filme mais acerta (pode deixar, sem spoilers aqui) é na mistura de linguagens e no uso criativo de muitos elementos narrativos. É como se o Gainsbourg pessoa fosse evoluindo junto ao Gainsbourg personagem, dialogando ação e imaginação durante todo o filme.

Isso acontece porque Sfar é um cara de imagens (é cartunista) e sabe dos potenciais narrativos na hora de contar uma história (em um e outro meio). Vai inclusive pelo caminho inverso da maioria das histórias baseadas em HQs: se a franquia X-Men se esforça mais a cada filme em parecer real e verossímil (o que fica ainda mais claro com esse First Class), usando os efeitos para provar o que só existia na nossa imaginação, no filme de Gainsbourg, efeitos, animação e uso de marionetes estão ali para sugerir, fantasiar e dialogar com a história que está sendo contada, ampliando seu potencial narrativo. Em um texto extremamente interessante de seu blog Sfar comenta seu processo criativo, mostrando como as duas coisas, ilustração e texto, quadrinhos e cinema, estão associados no seu trabalho (e como acaba usando um, mesmo quando está fazendo o outro). Como na frase (o blog está todo em francês e inglês):

"I also like this eternal feedback loop when shooting the movie, when I go back to my water-colours and draw a live actor being an imaginary character. (...) Building a narrative by opposing drawings and actor’s words, by making them dance together, is an inexhaustible source of inspiration."
(Trad.: Eu sempre gosto deste eterno vai-e-vem quando dirijo um filme, quando eu volto para a pintura e desenho um ator sendo um personagem imaginário. (...) Construir uma narrativa opondo desenhos e palavras dos atores, fazendo com que elas dancem ao mesmo tempo, é uma inesgotável fonte de inspiração)



Não por acaso seu novo filme (que estreou agora na França) é o desenvolvimento de uma das suas obras mais famosas. Desenvolvimento, já que: "I hate those stupid ideas like 'a movie based on a comic album'. When you create both yourself, it’s the same work." (trad.: Odeio estas ideias estúpidas como 'um filme baseado numa HQ'. Quando você cria as duas coisas, é o mesmo trabalho.") Le chat du Rabbin (ou o gato do rabino) é uma historia que ele começou em 2002 e que agora chega aos cinemas com o mesmo traço característico. Abaixo o trailer (em francês).



Acho (ou torço para) que um dia o futuro do cinema pode vir também desses caras (me interessa especialmente esses casos); de pessoas que pensem o cinema de forma mais ampla, que misturem linguagens, que joguem com novos elementos, que misturem realidade, imaginação, sonho, etc. de forma que faça sentido (ou que seja ao menos atraente) e/ou fique visualmente interessante. As histórias em quadrinho jogam há muito tempo com algumas dessas ideias (falei mais disso aqui); é ver quando elas podem também chegar ao cinema de forma mais efetiva. O filme do Gainsbourg já é um desses exemplos. Fico imaginando o que Laerte, Angeli, Adão e Gonsales e, na América Latina, Quino, Liniers e Montt, para citar só alguns, poderiam contribuir ao nosso irregular (e às vezes pouco criativo) cinema.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Battles (em uns tantos vídeos geniais)


O Battles é dessas bandas que de tão cabeçudas ficam até difíceis de escutar. Poderia ser classificado como post-rock (já que lembra outras bandas como Explosions in the Sky e Toe) ou como math-rock (o que acho mais adequado na verdade, já que a estrutura do som dos caras parece mesmo matemática). Acaba sendo difícil pegar um CD e escutar de cabo a rabo mas, por outro lado, ver os vídeos para as músicas deles é extremamente interessante. Eles já tinham lançado videoclipes no primeiro álbum, para as músicas Atlas (em que se apresentam em um gigante cubo de vidro) e Tonto (em que jogam bastante com luzes). Agora lançam o segundo álbum e fazem vídeos bem diferentes para promover (seria mais ilustrar) as músicas.

O primeiro, o videoclipe para a música Ice Cream é mais uma das pirações de edição que funciona (e que gostamos). Ali vemos quase tudo: alterações de cor; imagens sobrepostas trucadas (a menina repetida em quadro); jogo de máscaras (a banda recortada misturada com outras ações); muitos takes em meia-fusão (e o take do mergulhador no bikini é sensacional); entre tantos outros. Foi feito pela produtora catalã CANADA (vai entender...) que já tinha feito o videoclipe para o também espanhol El Guincho (e aqui também abusou das mulheres lambendo coisas esquisitas, como você viu aqui). Confira abaixo.



E aqui vemos a ideia da banda sobre a música (que não é nada demais) e um saboroso (já que a música trata de sorvetes) making of do videoclipe, gravado com a Canon 7D.



Aproveitando o bom momento, eles fizeram uma genial apresentação para os franceses do La Blogothèque (certamente a melhor coisa a aparecer na música dos últimos 10 anos) em um lugar incrível: em um dos salões da prefeitura de Paris. Famosos por fazerem sempre vídeos em plano-sequência, uma só câmera, som direto, dessa vez o blog resolveu situá-los em um lugar diferente e gravar com cinco câmeras (o que possibilita umas tantas manipulações em edição). Vejam abaixo as duas músicas gravadas por eles. Bom, não?


segunda-feira, 13 de junho de 2011

tUnE-yArDs e a lógica Corta-e-Cola... na música!

O tUnE-yArDs (pior é que se escreve assim mesmo) é uma das mellhores descobertas musicais dos últimos tempos. O projeto (quase) solo da tal Merrill Garbus, de gênero meio indefinido (o allmusic define como folk lo-fi experimental), faz uma colagem de sons como eu nunca tinha visto. E melhor, faz isso ao vivo.


Nas gravações do disco e nas apresentações ao vivo (como a que você verá abaixo) ela conta com a participação de dois saxofonistas e um baixista (formação incomum, inclusive); e ela se encarrega de todo o resto. Isso quer dizer fazer toda a percussão (em cima de poucos instrumentos), cantar (e no caso dela é algo bem mais complexo - além de meio esquisito) e tocar um ukelelê. Complexo porque a música dela é feita na melhor lógica corta-e-cola: o que é cantado ou tocado uma vez vira um looping (com ajuda de pedaleiras), que vai se somando às outras camadas, criando a interessante mistura dela (que ela mesmo define como cut and paste patchwork). Na música abaixo, aí pro final dela, temos a combinação de umas quatro camadas de looping do vocal, umas três da bateria e mais o vocal e o ukelelê dela mesmo, que aí sim vai fazendo na hora. É quase trazer a lógica da música eletrônica para o que entendemos como tradicional, compondo à medida que toca. Confira.


Depois de outra música da mesma apresentação da rádio ela fala um pouco mais sobre o conceito das montagens. Aqui vai música e entrevista.



E ela já lançou um videoclipe, que também tem suas boas sacadas de edição, para a música Bizness (a primeira aí de cima).



Para mais duas músicas da apresentação da rádio, clique aí: Doorstep e You Yes You. Genial, não?

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Broken Social Scene vai de Dexter

Ansioso para ver mais pessoas sendo mutiladas e mortas, assassinatos casuais com toques familiares? Pois para os "órfãos" da série, eis um videoclipe que serve perfeitamente para "matar" a saudade, enquanto a sexta temporada não vem.


O responsável por esta atrocidade é o grupo super-povoado canadense Social Broken Scene (os televisivos acima) e a música se chama Sweetest Kill, do último álbum deles, o Forgiveness Rock Record (do ano passado). O clipe saiu esta semana e mostra a bela Bijou Phillips (que já atuou em filmes como Quase Famosos) envenenando e fazendo picadinho do namorado (e não estou usando metáforas aqui). Veja abaixo.



Matador o videoclipe, não? Já Dexter deve estrear somente no final do ano (já que recomeçaram as gravações não faz muito tempo) e contará com os convidados Edward James Olmos (da série Battlestar Galactica), Colin Hanks (de O.C.) e o rapper Mos Def (do divertido Rebobine, por favor). É esperar para ver.


(Se você é fã de Dexter vai gostar de ler isso AQUI também).