segunda-feira, 26 de maio de 2014

Uma leitura do que há sob a pele de Sob a Pele, de Jonathan Glazer

AVISO: O texto abaixo contém spoilers. Muitos deles.


Uma mulher misteriosa e extremamente sedutora (e aqui estamos falando da Scarlett Johansson) dirige um carro por estradas e ruas da Escócia, procurando homens. Não qualquer homem: suas "presas" são pessoas da Albânia, da República Tcheca e de outros países do Leste Europeu. Imigrantes, portanto, mas que não se encontram isolados da sociedade em que se encontram: eles estão nas festas, no caminho do supermercado e nas torcidas de futebol. Após a abordagem casual, ela os leva até casas abandonadas e espaços obscuros, para os arrastar para dentro de um líquido preto, aprisionando e esvaziando sua essência.

Passados todos os imigrantes, o projeto de higienização atinge um jovem de 26 anos com deficiência física no rosto. A pessoa que mais leva tempo para sucumbir à sedução da bela mulher é também a primeira a escapar. Despido completamente e com todas as suas deficiências à mostra, volta para a cidade sem entender o que aconteceu.

Daí para a frente, esse ser que devorou tudo se vê obrigado a confrontar os seus próprios problemas de alimentação. O doce e belo não dá mais para engolir e o mundo limpo de coisas e pessoas diferentes parece artificial. É preciso interagir assim com o escocês padrão, que pega ônibus e mantém uma casa simples e desarumada numa periferia sem cor ou graça. O mundo limpo de diferenças é sujo e pobre, no final das contas. Com isso, o ser que devorava corpos é obrigado a olhar para o interior do seu próprio corpo (e não poderia ser feito de forma mais literal).

Resta então se isolar na floresta, essa metáfora recorrente de ambiente misterioso e infinito, que protege ao mesmo tempo que esconde, usada desde os contos de fada a outros filmes de igual abordagem, como é o caso de Lars Von Trier em seu Anticristo e Alex van Warmerdam em seu Borgman (que coleciona prêmios por onde passa e ainda permanece inédito por aqui).

Na floresta, essa mulher agora real e desesperada, encontra o mal verdadeiro que permaneceu o tempo inteiro sob a superfície (da qual se refere o título). A sociedade, no fim, culpa e elimina as diferenças para esconder suas próprias perversões, sempre muito maiores e mais presentes do que podemos imaginar. Nesse contexto violento e pesado, aparece a cor que está por dentro da própria pele, a verdadeira essência, e que pode ser entendida justamente como a de seu oposto.

Jonathan Glazer, que começou na direção dos videoclipes, como os melhores de sua geração, sabe que fazer cinema é buscar a harmonia entre aspectos textuais e visuais e é nesse ponto que Sob a Pele se destaca. Filme cheio de detalhes e com uma linguagem nova e interessante, começa documentário (e as pessoas que entram no carro são, em muitos casos, não atores, sem nem saber que se tratava de um filme); passa para o fantástico de visual complexo, mas feito em cima de poucos e expressivos elementos (as sequências do líquido preto são assustadoras e belas, em igual medida); e termina pura ficção, crua, fria, com silêncios e ruídos marcantes (e nesse ponto, especial atenção para a bela trilha de Mica Levi).

Scarlett Johansson, a mais bela atriz do momento também mostra que sabe escolher papéis como poucos. Depois de roubar a cena no Don Jon/Como Não Perder Essa Mulher de Gordon-Levitt (outro para ficar de olho), atua nesse durante o tempo inteiro do filme e praticamente sem falar, para, no filme seguinte, Ela, de Spike Jonze (um filme igualmente obrigatório), falar muito sem nunca aparecer.

Abaixo, três vídeos que ajudam a entender e mergulhar (o trocadilho é intencional) no universo criado pelo diretor. O primeiro mostra a construção da parte do documentário, com a van equipada para registrar o acaso nas abordagens com as pessoas. O segundo foca na interpretação da Scarlett. E o terceiro mostra as ideias por trás da bela trilha sonora composta para o filme. Aproveitem!





terça-feira, 4 de junho de 2013

O fantástico Jonah


O curta-metragem Jonah conta a história de como uma simples foto (ou uma ideia, como eles gostam de descrever) pode transformar uma cidade e um país rapidamente através da ação do turismo, da tecnologia e da exploração comercial. O estúdio inglês Factory Fifteen foi o responsável por criar o visual bastante complexo da história, com um belo trabalho de pós-produção e composições em 3D que modificam completamente cada frame do vídeo. Lembra o filme Distrito 9, de Neill Blomkamp, pelo uso de uma fantasia gerada em computação para criticar realidades sociais difíceis em contexto africano. Ou Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, de Michael Gondry, que mostra a ação se formando segundo a segundo através de belas composições em 3D (e essa composição gradual tem nos dois casos efeito narrativo). Mas o fato principal é que esses três exemplos usam a tecnologia como forma de criar uma realidade fantástica extremamente encantadora, contando uma história muito mais interessante quando possível de ser visualizada. O curta participou este ano do Festival de Sundance e agora chega à Internet, em alta definição. Aproveitem. 

JONAH from Factory Fifteen on Vimeo.

Jonah já foi apoiado pelo projeto The Creators Project da Intel e da Vice, que fizeram um rápido vídeo apresentando as ideias por trás da produtora (e do curta).



E como se trata de uma produtora de finalização, não podia faltar o vídeo de making of, mostrando passo a passo (e layer por layer) como foram feitas várias composições 3D do filme.

JONAH MAKING OF from Factory Fifteen on Vimeo.

ps. Em outro post também falamos sobre a última edição de Sundance e sobre o curta vencedor em uma das categorias. Outro belo curta, inclusive. Recomendo a leitura. ;)

quarta-feira, 24 de abril de 2013

SXSW e a lógica Memento invadindo os videoclips


O SXSW (South by Southwest), festival que acontece há mais de 25 anos na cidade de Austin, Texas, tem a virtude de reunir em um só lugar tudo o que mais gostamos: ao mesmo tempo que é um festival de cinema, discute tecnologia, expõe novidades da NASA, promove torneios de videogame e junta mais de 2000 bandas em shows intimistas (contrários à lógica de outros festivais, como o recente Coachella).

Em meio a essa programação musical gigantesca, que ia do Emicida e da Gang do Eletro a Green Day, Specials ou Eric Burdon (dos Animals) ganharam destaque duas bandas, que se apresentaram na sequência, em uma mesma noite: os nova iorquinos Yeah Yeah Yeahs e os britânicos do Alt-J. Enquanto os primeiros (foto acima) apresentaram músicas do seu quarto disco, que parece continuar consistente e interessante (coisa que outras bandas de sua geração, como Strokes e Franz Ferdinand, não conseguiram direito), os segundos (abaixo) mostraram na íntegra e praticamente na mesma ordem, as músicas de seu único álbum (incluindo os Interludes, que ficaram bem legais ao vivo). Para completar (e deixar tudo ainda mais memorável), a noite ainda contou com Nick Cave e Café Tacvba, que se apresentaram antes dos outros dois.


Recentemente, para promover seus últimos álbuns as duas bandas lançaram vídeoclipes bem produzidos e bastante similares, tanto na temática quanto nos recursos: nos dois casos as bandas não aparecem, as histórias são contadas de trás para a frente e são construídas em cima de dramas de final trágico (ou seria o início?).

Dirigido por Ellis Bahl, Breezeblocks (na minha opinião a melhor música dos Alt-J) também participou do SXSW, em uma sessão dedicada aos videoclipes.

Alt-J (∆) | Breezeblocks from Ellis Bahl on Vimeo.

Dirigido pelo Megaforce (que já dirigiu clipes de Tame Impala e Metronomy), Sacrilege é o primeiro videoclipe do álbum Mosquito, dos Yeah Yeah Yeahs, que acaba de sair.



Contando a história de trás para frente, na melhor lógica do filme Amnésia (Memento), de Christopher Nolan, os videoclipes propõe uma leitura mais participativa da audiência, que tem que processar cada nova informação do vídeo, juntando as peças do quebra-cabeça. Fazem também com que o corte-seco, simples corte de plano a plano, adquira um peso muito maior, já que divide a ação, mudando em alguns casos o lugar e, em todos os casos, o tempo. E mais do que tudo isso, esses videoclipes dão uma bela vontade de vê-los de novo, para fazer uma nova leitura, depois de já conhecer a história. Coisa rara no mundo dos videoclipes.

terça-feira, 9 de abril de 2013

The Walking Editors...

É... A terceira temporada de “The Walking Dead” chegou ao fim...



E para lidar com o luto e a sensação de vazio, dor, raiva e desejo de vingança que o último episódio deixou, compartilho aqui (sem as doses cavalares de dramalhão mexicano que os últimos adjetivos deixaram) uma pequena aula de efeitos visuais que ficaram como herança (ok, sem mais brincadeiras com morte. Rs). O fato é que, goste ou não da série, uma coisa é inegável: eles cuidam do resultado “gráfico” final e, em se pensando numa produção que exige agilidade e volume, algo típico da tv, o resultado anda bem bom.
PS: Se você tem problemas com SPOILERs, melhor não ver.


The Walking Dead Season 3 Visual Effects Reel from Stargate Studios on Vimeo.

Assim como nos dois anos anteriores, a Stargate , empresa de Vancouver, se responsabilizou pelos efeitos visuais. Misturando muita maquiagem, uma boa ajuda dos cenógrafos, a paciência da equipe e horas e horas de finalização, eles mostram que todo o cuidado dos primeiros arcos tem evoluído de acordo com a história. Se no início, os zumbis eram mortos à distância (o que “facilitava” qualquer trucagem), agora o close-up toma conta. Mais acostumados à realidade do “pós-apocalipse”, os personagens enfrentam as ameaças de perto e, com o fim do estoque de armas, usam todo tipo de artifício (martelos, tacos de baseball e qualquer objeto perfurante) para acabar com as “coisas”, dando mais trabalho à equipe de pós-produção.

Mas boa parte da diversão dos efeitos visuais é perceber o que não se vê. Toda a parte “gore” e a paleta com texturas de sangue (sim, eles possuem uma) estão explícitamente lá, o mesmo não se pode dizer das cidades destruídas, das ordas de zumbis, da prisão….


Enquanto você espera (ou não) pela próxima temporada, deixo também aqui os reels com os efeitos das duas primeiras. Pensa bem: Se o apocalipse acontecer, estaremos digitalmente preparados. Quem viver, verá... ou não. Rs.


"The Walking Dead" Demo Reel 2010 from Stargate Studios on Vimeo.


Walking Dead Season 2 VFX Reel from Stargate Studios on Vimeo.

quinta-feira, 28 de março de 2013

O Som do Silêncio Hipster

Se “uma imagem vale mais que mil palavras”, já não sabemos. Mas que vale curtidas com coraçõezinhos e a provável popularização do autor nas redes sociais, é fato. Ou era. 

Até o fechamento deste post, trend mesmo é o “Vine”, aquele aplicativo que permite a gravação de pequenos videos com até seis segundos de duração. Imagem em movimento lembra alguma coisa? Pois é…


Juntando as duas vertentes, o Festival de Cinema Mudo de Toronto uniu os conceitos do Instagram e do Vine pra fazer algo antigo com uma cara totalmente nova. Confuso? Nem tanto. A divulgação do evento que ocorre entre 4 e 9 de abril, inovou ao lançar a seguinte proposta: Usar imagens do Instagram para produzir trailers mudos para o próprio festival no melhor estilo Flip-Book.
O resultado foi este:


Segundo o diretor criativo da agência canadense Cossette, que inventou a campanha, o interessante do projeto é usar a tecnologia do Instagram para promover filmes mudos, unindo dois universos, em tese, distintos. Para quem quiser mais, os perfis no “Insta” são estes: http://instagram.com/tsff_1; http://instagram.com/tsff_2 ; http://instagram.com/tsff_3.   

Independente do resultado final, um tanto “primário”, o que fica desta história é o estímulo do exercício de formatos, de montagem, e um resgate do cinema desde os primórdios. No fim tudo ainda se resume a frames, movimento e áudio ( mesmo que seja o silêncio). E quer saber o melhor? #TodosCurtem

sexta-feira, 8 de março de 2013

E os Zumbis Sobreviveram às Aberturas do Anos 90...

Nesta época em que exercícios narrativos andam atrelados a Cabras, Gangnam Styles e afins, é interessante ver que também existem pessoas estimuladas a brincar com outras formas de estética independente do “melhor último viral da semana passada”. É o que fez o “goes to eleven”, um usuário do youtube que re-editou as aberturas de “Breaking Bad” e “The Walking Dead”, só que com a cara dos anos 90.



     
Além das imagens lavadas, dos letterings com fontes garrafais, dos clipes com atores mastigando palavras sem qualquer contexto e da trilha ~envolventemente~ brega, o trabalho trás de forma bem humorada todo o conceito das aberturas que fizeram a cara daquela década . Estão aí “Baywatch”, “NYPD Blue”, “Barrados no Baile”, “Party of Five”, entre outras, que não nos deixam mentir.

Abaixo algumas das aberturas originais para termos de comparação (e vergonha do passado. Rs).





Estas nós descobrimos com o Box de Séries. Se vocês lembrarem de outras, (inclusive as íncríveis, como estas) compartilhem com a gente.  


segunda-feira, 4 de março de 2013

Do the Harlem Shake (ou: os memes podem ser bons exercícios de edição)

Para mostrar que nos escritórios de ar condicionado e baias cinzas (e nos corpos de bombeiro, nas equipes de fórmula 1 e nos exércitos noruegueses) nem sempre a vida é fria e tediosa, surgiu nesse nosso 2013 algo chamado Harlem Shake. É bizarro, meio nonsense e muitas vezes só tem sentido mesmo para quem faz (e ainda para esses, deve ter mais sentido durante os 30 segundos de gravação). Mas como todo meme da Internet, a fórmula pode ser meio besta mas as mil versões feitas depois acabam chegando a resultados interessantes.

Como não estávamos aqui fazendo nada, nada, nada, resolvemos criar a nossa colaboração para o movimento, usando apenas edição.

1. (You gotta) Fight for your right (to party). Antes de celebrarem a festa desmedida em casa, com uma música ruim, os Beastie Boys já mostravam como fazer (e com música boa).



2. Tango é o nome do curta (e já falamos dele aqui). Um dos melhores exercícios de edição... reeditado (em um novo exercício).



Pois vá lá. Se você já criou algum ou teve alguma nova ideia de aplicação possível, escreva aí abaixo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Dos videoclipes para o cinema, do cinema para os videoclipes. (ou: a nova parceria entre John Hillcoat e Nick Cave)


Pouco tempo atrás estava em cartaz nos cinemas brasileiros o filme Os Infratores. Com um grande elenco formado por Shia LaBeouf (famoso pela série Transformers), Guy Perce (de Amnésia), Mia Wasikowska (a nova Alice), Tom Hardy (o Bane) e Gary Oldman (o Comissário Gordon), o filme também marcava mais uma parceria entre John Hillcoat (o diretor) e o músico Nick Cave (que assinou o roteiro do longa-metragem). 



Já acostumados a trabalharem juntos nos videoclipes (e no cinema) faz um bom tempo, o diretor lança hoje o vídeo para a  nova música de Nick Cave, Jubilee Street. Com belíssima fotografia, uso da letra da música transformada em diálogos (na boca dos 3 personagens) e atuação de Ray Winstone (de filmes como Hugo e Branca de Neve e o Caçador), o videoclipe poderia até lembrar o Amor à Flor da Pele do Wong Kar Wai, pela temática e fotografia (além de também contar com cenas bastante ousadas). Confiram o resultado abaixo.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

Corta-e-cola recomenda: Enter the Void (2009). Dir.: Gaspar Noé

Gaspar Noé é um diretor subestimado. Talvez por causa da famosa e longuíssima cena de estupro do filme Irreversível (protagonizada pela Monica Bellucci), o diretor passou a ser mal visto pelo público e por uma parte da crítica, como se quisesse apenas chocar sem ter uma mensagem para passar; e como se usasse os truques de edição por puro espetáculo, sem necessidade. Por causa disso, seu filme seguinte, Enter the Void, de 2009, obra (na minha opinião) a estar entre as maiores inovações e provocações do Cinema, nunca chegou às salas brasileiras e, desconfio, nem às locadoras ou lojas de DVD.


Gaspar Noé é o contrário de tudo isso e Enter the Void é um filme para ser visto e revisto, com bom áudio e de preferência em Blu-Ray. Ambientado no Japão e tendo o uso de drogas e a morte como temas principais, o filme traz um uso bastante diferente de movimentos de câmera (que o diretor já tinha provado em curtas e longas anteriores, incluindo o próprio Irreversível) mas, desta vez, esses adquirem poderosos efeitos narrativos. E a montagem, outra das muitas qualidades do diretor, joga brilhantemente com esses planos, criando momentos bem diferentes ao longo do filme.



O projeto nasceu, segundo o diretor, após ele ter visto drogado o filme A Dama do Lago, de 1947. Dirigido por Robert Montgomery, este é outra dessas experiências interessantes do cinema, já que é todo feito usando planos subjetivos (nos dois filmes conhecemos o personagem principal apenas através do espelho, feito com um plano trucado).



Os dois filmes (e o recurso) dialogam com o clipe de Smack My Bitch Up dos Prodigy, dirigido pelo também amigo da boa edição Jonas Akerlund, que tem em seu portfolio o filme com mais cortes da história (mais de 5 mil, segundo o Imdb): Spun - Sem Limites (do qual certamente falaremos em outra ocasião). Abaixo o clipe na versão sem sensura (mais coerente com o filme que é o assunto deste post).



Por último, se estamos citando referências e filmes relacionados, diria que Enter the Void é, provavelmente, junto com o Speed Racer dos irmãos Wachowski, o filme mais colorido da história (e daí o porquê de eu ter dito que funciona melhor em Blu-Ray). Nenhum outro além desses conseguiu capturar com tanta intensidade esse mundo ultra-tecnológico (do qual o Japão faz parte), com overdose de movimentos e luzes neon, já apontando para um mundo futurista bem bizarro (Blade Runner também recria a mesma coisa de forma brilhante, mas com tons bem mais sutis).



Ps. "Corta-e-cola recomenda" é um espaço que faremos, daqui por diante, com esses filmes que nos inspiram e que trazem inovações ou discussões que achamos relevantes. Se você tem alguma sugestão ou lembra também de algum filme que vá no mesmo sentido, por favor, mande para nós nos comentários abaixo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Sobre Sundance e o cinema independente (e claro, o curta vencedor)

O festival de Sundance é, como todo mundo já sabe, a meca do cinema independente. Cineastas iniciantes e propostas audiovisuais mais ousadas dividem as salas de cinema da pequena e fria cidade de Park City, que fica no estado de Utah. Há ali aqueles diretores que buscam usar o festival como trampolim para Hollywood e há também aqueles que se sentem confortáveis no underground, jogando com a liberdade que o cinema independente gera para eles (e o espaço que o festival dá para que essas obras sejam vistas).

 
Os filmes são divididos em várias categorias, que vão de documentários e ficções (sub-divididos em produções americanas e internacionais) a outras como NEXT (que se destina a formatos mais ousados), New Frontier (que usa recursos multimedia, 3D e afins) e Midnight (terror, comédia e outros filmes de gênero em sessões à meia-noite). E, como todo bom festival, tem a parte destinada aos curtas.

Os curtas, que normalmente já são considerados um formato para experimentação e para promoção pessoal, aqui estão em seu habitat natural (e, por isso, não ganham atenção diferenciada). Também estão divididos em documentários e ficção, tendo ainda uma seleção só de animações e outra, patrocinada pelo Youtube, que conta com a participação de nós, internautas.


O curta Catnip: Egress to Oblivion? (algo como Catnip: Saída para o Esquecimento?) do americano Jason Wilis foi o vencedor dessa categoria, já que teve mais pageviews no Youtube (o que também pode ser interpretado como o "prêmio do público"). 

Tive o prazer de ver na sala de cinema e funciona ali muito melhor, ainda mais com o público da meia-noite (que gargalhava a cada 10 segundos). O curta, um belo exercício de edição, foi feito, segundo o diretor, com 29 dólares (para comprar catnip e outros mimos aos "atores" do curta). E foi rodado com os gatos dos amigos em suas próprias casas e depois criado todo em pós-produção, dando sentidos (hilários) aos muitos movimentos e expressões dos felinos. Divirta-se. (Os demais vídeos que competiam com ele podem ser vistos na página do Youtube).



sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Como Impressionar o Cara que "Matou" Bill.

Ano passado, a RedBull lançou o seguinte desafio:  Encontrar artistas que apresentassem trabalhos originais em qualquer formato multimidia para impressionar, em até 3 minutos, ninguém mais, ninguém menos que…





















Além da visibilidade, o Django Unchained Emerging ArtistContest oferecia ao ganhador a chance de encontrar o próprio na Comic-Con 2012. O autor da façanha é o brasileiro (sim!!) Edson Oda: Um cineasta paulistano, residente em  Los Angeles que, inspirado por três dos “Western Spaguetti”  favoritos do diretor, “seduziu” Tarantino assim:


The Writer from Edson Oda on Vimeo.

Ao misturar técnicas como Origami, Kirigami, Time Lapse, Quadrinhos e um excelente roteiro (algo que nem a melhor das técnicas ensina), Fabio entrega um trabalho primoroso tanto na direção, quanto na edição e estebelece algo ainda mais difícil: inovação. Belo aquecimento para o filme que estreia hoje, não?


Django Trailer from Create on Vimeo.

O bonus track, que na verdade inspirou este post, fica por conta de “Malaria”, brilhante ideia inicial de Fabio para o concurso, que infelizmente, não ficou pronta a tempo. O duo que compõe este blog, gosta deste ainda mais. A decisão é sua.
Agradecimentos a Rafael Kenski (@rkenski) pela dica. 


Malaria from Edson Oda on Vimeo.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

This Exquisite Forest - Animações colaborativas

Primeiro veio a ideia de usar quadros desenhados por pessoas no mundo do todo para a criação de um videoclipe colaborativo de ninguém menos que o Johnny Cash (falamos desse projeto em outro post). Pois a ideia cresceu e ficou ainda mais ambiciosa. Agora ao invés de quadros temos pequenas animações como base e o resultado é muito mais abrangente. 


O This Exquisite Forest usa ferramentas do Google e do Chrome para criar um ambiente composto de milhares de animações que vão se complementando e criando novas ramificações, dando assim ao público a possibilidade de modificar som, visual e narrativa em pequenos fragmentos animados. Abaixo você vê a ideia explicada em uma bela animação (e bem melhor que as minhas frases acima, com certeza).



Outro vídeo detalha o making of do projeto, com entrevistas com os criadores e os primeiros colaboradores.



O site conta com muitas animações diferentes, cada uma com suas próprias ramificações. Aí abaixo algumas delas.







Como você pode ver o resultado é bastante variado e as possibilidades são infinitas. Assim como no projeto do Johnny Cash, as ferramentas para a criação são bem simples, o que por um lado possibilita que todo mundo participe, por outro deixa às vezes o visual meio pobrinho (mas é claro que tem gente que faz miséria com isso). Agora vai lá, entre no ambiente e passeie por essa grande floresta animada. Ah, e se você colaborar com alguma delas, divulgue aí abaixo. Gostaríamos de saber.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Chaves para Hitchcock

Um homem sofisticado numa trama sinistra. Uma loira “gelada” inocente e diabólica. Um plot resolvido apenas no último segundo. Luz e sombra na fotografia. Trilha a la Bernard Herrmann, edição precisa, câmera-personagem, espectador cúmplice. A receita existe, mas se houvesse fórmula para um clássico de Hitchcock, os filmes do Brian de Palma ainda valeriam o ingresso. Não é o caso. 
Se desde sempre o nome do diretor inglês e o termo suspense são considerados sinônimos, em 2013, o dicionário ganha um novo termo: hype. Hitchcock está na moda, na tv, no cinema e provavelmente nas grandes premiações ao longo de 2013/2014. Até o momento temos, entre outras coisas, a produção com Anthony Hopkins e Helen Mirren que conta os bastidores  de “Psicose”, o lançamento do box “Alfred Hitchcock the Masterpiece Collection” com 15 obras-primas em formato Blue-Ray  e um filme da HBO, um tanto mal criticado, sobre sua relação obcessiva com Tippi Hedren. 


Mas em meio a todo o “buzz” surge uma notícia que muito interessa a este blog: é “The White Shadow” de 1924. Os rolos, perdidos por décadas e com autoria desconhecida até 2011, foram doados ao National Film Preservation Fund em 1989, e agora são disponibilizados (os 43 minutos encontrados, pelo menos), via streaming. A direção é creditada a Graham Cutts, mas quem aparece como assistente de direção, montador e cenógrafo é Alfred Hitchcock em, nada mais nada menos que, seu primeiro filme.
Pouco se sabia do roteiro, mas a história de uma irmã “má” que toma o lugar da “boa”, já apresenta alguns toques sutis de sua posterior narrativa: o clima da aristocracia, o jogo de aparências, o trabalho com os atores e a montagem nada monótona. Vale assistir, no mínimo, pelo registro histórico.
Se essa foi sua primeira incursão pelo cinema, termino o post com uma jóia bem mais recente realizada em 2007 por um fã que escreveu e dirigiu um curta (para a cava Freixenet) que mostra o encontro e a execução de um roteiro supostamente perdido pelo mestre… Usando e abusando dos recursos eternizados por Sir Hitchcock, “Key to Reserva” é simplesmente genial. O fã? Um tal Martin Scorsese.
PS: À procura de outras chaves para o universo do mestre? Algumas das melhores estão aqui.           
Enjoy!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

O melhor dos video-games com o melhor do cinema

Muito em breve (4 de Janeiro, para ser mais exato) estreia nos cinemas a animação Detona Ralph, da Disney/Pixar, com direção de Rich Moore e voz de John C. Reilly no papel principal (o Ralph em questão). É a segunda obra da Disney que usa um simples jogo de video-game como ponto-de-partida para uma história mais complexa (narrativamente e graficamente); a primeira foi Tron. Desta vez os jogos clássicos dos consoles acabam também virando personagens e o resultado tende mais à comédia e à diversão.



O namoro entre video-games e cinema não para só aí. Recentemente vimos dois dos maiores nomes do cinema (e gênios na arte da montagem, devo acrescentar) assinarem publicidades de dois jogos, em bons exercícios de linguagem. O primeiro caso é dirigido por Guy Ritchie (de Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes, Snatch e outras tantas maravilhas) e o jogo em questão é o Call of Duty: Black Ops 2, que será lançado na semana que vem. (Atores como Galifianakis e Downey Jr. também fazem suas participações especiais).



Já David Fincher (de Clube da Luta e A Rede Social -que ganhou oscar de edição, se você bem se lembra) e Tim Miller (responsável pelos geniais efeitos do Scott Pilgrim) trazem até você o trailer do novo jogo da franquia Halo, que promete mais uma vez reinventar o mundo dos video-games. Enquanto o filme não chega (e a novela de quem seria o diretor e quando diachos ficaria pronto não acaba), nada como um vídeo (e um jogo desses) para acalmar os ânimos dos fãs da saga. Aproveite.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Videoclipes sem música (ou: a melhor forma de ver Gangnam Style)

A essa altura você provavelmente já viu Gangnam Style (o hit do verão coreano) das mais diferentes formas: da versão gaúcha ao mashup russo do Michel Teló; da versão do Deadpool a Flash mobs por diferentes partes do mundo. Mas a versão que você deveria mesmo ter visto (pelo menos, dentro deste blog) é a versão sem áudio (até porque, convenhamos, a música nunca foi lá essas coisas).

Nova perversão videoclípica e novo exercício de edição, a "técnica" consiste em tirar a música e colocar efeitos em cada um dos takes, simulando como ficaria o vídeo se fosse editado usando apenas os sons naturais, captados diretamente.



Como você pôde ver, Gangnam Style sem música vira uma obra surrealista e esquisofrênica, mais parecendo um experimento do David Lynch que um videoclipe de uma música pop. Mostra também que muitos videoclipes não se sustentam e não ganham significado sem a presença da música, sendo a edição, em boa parte dos casos, uma junção meio ao acaso e desconexa de diferentes vídeos. As imagens estão ali para ditar o ritmo e gerar um clima associado à música, não precisando ter necessariamente um sentido.

Caso diferente disso é o cinema, onde a música e a trilha sonora têm a função de dar ritmo e gerar climas específicos (principalmente nos filmes de gênero, como terror e suspense). Bom exemplo contrário, de como a música amplia o poder das imagens, você pode ver no vídeo abaixo, com dois mestres das duas coisas (direção e trilha sonora): Steven Spielberg e John Williams.



sexta-feira, 26 de outubro de 2012

E no fim, é só o começo – Parte 2 - Aberturas

Se a primeira parte deste texto usou a desculpa do aniversário de 50 anos de James Bond no cinema para falar da importância dos créditos nos filmes, a segunda se aproveita da estreia de ”007 – Operação Skyfall” como argumento para algo que a franquia do agente fez muitas vezes com maestria: as aberturas. Na estreia de Daniel Craig no papel, por exemplo, ela cumpre “apenas” a missão de “rebootar” a série e consegue com uma combinação de trilha e fotografia a la Hitchcock, arrebatar um novo público no tempo recorde de 4 minutos.



É quase matemático. Grandes filmes =  Grandes aberturas. Pequenas obras-primas que cumprem com louvor o papel de introduzir a história e que, quando geniais, sobrevivem isoladamente a ela. 
















Na literatura, uma boa sequência de início tem alguns macetes. Diferenças de linguagem a parte, essas do Joseph Bates têm muito a ver com o cinema. Para capturar o espectador, a sequência  deve: Começar com uma ação em progresso; Mostrar o tema sob a perspectiva do protagonista; Fechar um arco e mesmo assim, prender a atenção para o que vem depois e, estabelecer desde sempre que o “narrador” saiba “inserir” conceitualmente este “início” ao fim da história.





Mesmo produções que subvertem a lógica a partir de uma montagem não linear acabam se “rendendo” a pelo menos três destes parâmetros, é o caso de Pulp Fiction, que mesmo sem um protagonista definido, termina sua narrativa “circular” na mesma sequência inicial.




Eu poderia passar bem mais que qautro minutos falando sobre sequências antológicas: “Os Bons Companheiros”, “O Poderoso Chefão”, “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Up!”, “Era uma vez no Oeste”, "O Rei Leão", "Expresso para Darjeeling", só pra começar... Mas, para não testar sua paciência (convenhamos, só o áudio já valia um capítulo a parte), termino o texto com uma das minhas sequências favoritas, extraída também da obra do Tarantino. Uma jóia onde cada pausa é essencial para contextualizar tanto a época, como o conflito que ronda o filme todo.  Quem não prendeu a respiração a cada segundo do diálogo entre Christoph Waltz e Dénis Menochet, perdeu um dos melhores "curtas" da história do cinema. Polêmica?  Fica pra próxima. Para um post que fala sobre “aberturas”, este já está enorme :)


Inglourious Basterds from One Scene on Vimeo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

E no Fim, é só o Começo – Parte 1 – Créditos de Abertura

Na semana em que o agente secreto mais famoso do mundo completou 50 anos no cinema, a Flavorwire  lançou um  ranking com 15 dos créditos de abertura mais inventivos da história dos filmes. Na lista, surgem com louvor os nomes de Pablo Ferro e Michael Binder, mas em se tratando de “Opening Title”, não há crédito mais antológico que Saul Bass (1920 – 1996):O artista que estabeleceu o padrão do que uma abertura  deve ter para se transformar em algo tão ou mais emblemático quanto a própria obra. 


Até a década de 50, créditos eram apenas uma lista de nomes em sequência numa linguagem próxima a experiência literária. Bass, não só mudou essa lógica, ( Ok, aberturas de Woody Allen, não contam) como instituiu o que seria um ambiente especial para “abrir” e criar o clima de uma narrativa. 


The Title Design of Saul Bass from Ian Albinson on Vimeo.

Seus gráficos fundiam som e imagem  de forma única e, ao contrário de um trailer que “vende” o produto (colocando, muitas vezes a  história em segundo plano a serviço de uma estratégia de marketing), assumiam o compromisso de apresentar um conceito conectado diretamete com o roteiro a ser contado. Não é a toa que Bass era também responsável por muitos dos cartazes dos filmes que “abria”.











Com traços marcantes, uma palheta de cores bem definida e um senso de perspectiva copiados até hoje, ele conseguiu a proeza de "dizer" em poucos minutos, o que muitos diretores não conseguem sequer em duas horas. Sorte a nossa que os parceiros foram do naipe de Kubrick, Hitchcock, Scorsese, muitas vezes ao som de Elmer Bernstein. 
No fim, tudo isso só comprova uma coisa: No cinema de Saul Bass, o primeiro frame é o que fica.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Pra bom entendedor, um pingo é letra.

William Blake, o bom e velho poeta, pintor e visionário, já dizia: “Se as portas da percepção estivessem limpas, tudo apareceria para o homem tal como é: infinito”. A frase, que por sinal, ajudou a inspirar o nome daquela banda do Jim Morrisson, se presta as mais diversas interpretações, mas em tempos de ferramentas tecnológicas que permitem que os sentidos sejam cada vez mais aflorados , vejo na “interwebs” um video que mostra que com um design limpo e uma montagem gráfica que estimula o sensorial além do óbvio, é possível produzir algo universalmente perceptível. 


Word as Image (by Ji Lee) from jilee on Vimeo.


O trabalho de Ji Lee, um artista coreano, criado em São Paulo, começou há cerca de vinte anos numa aula de tipografia, na qual os alunos eram encorajados a aplicar em “apenas” uma letra, uma serie de conceitos, sem a ajuda de nenhum elemento externo. Uma ideia aprimorada em projetos como o alfabeto 3D...



ou em imagens síntese do cinema, transformadas até em aplicativo: 

Enquanto um dos grandes desafios da montagem no cinema é colocar ideias em perspectiva a serviço de uma proposta criativa, é bom ver algo que mimetiza som, imagem, palavra (a síntese máxima do roteiro), cultura pop e memória emotiva em tão pouco espaço. Moral da história? Quanto mais simples, melhor.        Em se tratando de comunicação, nada mais complexo. Palmas para os que encontram as tais portas. 

PS: O Evan Seitz, um editor-animador tem, ao menos dois trabalhos bem inventivos que usam uma lógica semelhante a de Lee. Caso você não tenha visto, vale bem a pena.... 




ABCinema | Ep.1: Alphabet from Evan Seitz on Vimeo.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A montagem de Tropicália (ou: a arte de valorizar materias de arquivo)

Estreia hoje o documentário Tropicália, de Marcelo Machado. Documentário que funciona como registro histórico do que aconteceu culturalmente no Brasil entre 1967 e 1972 e tem como figuras centrais Caetano Veloso, Gilberto Gil e Os Mutantes (principalmente).



Mas o filme, como você pôde ver no trailer acima, vai muito além disso. Abarcando coisas relacionadas ao "movimento" que aconteceram simultaneamente no cinema, nas artes plásticas, no teatro e na vida política e social do país, ele faz um registro muito mais abrangente (e por causa disso, mais interessante). E para dar essa "cola" (usando aqui a expressão do mutante Sérgio Dias, que já aparece no trailer) há um criativo e muito bem aplicado uso da Montagem. 

Não só o ritmo do filme é bastante eficiente (as músicas se destacam e estão presentes em todo o filme mas não brigam com o texto nem se alongam demais) como há uma interessante mistura de linguagens e técnicas ao longo de todo o documentário. Assinada por Oswaldo Santana (que também montou o filme Bruna Surfistinha), a montagem acaba deixando quase sempre a fala dos entrevistados em BG, ilustrando o texto com composições e manipulações de capas de álbuns, fotos de arquivo e vídeos de formatos diferentes como tv, cinema, super-8, etc. 

Não só eles tiveram acesso a um material muito rico como souberam usar e manipular muito bem. O filme é no final extremamente colorido, mesmo usando quase que somente material em P&B, original da época. No arsenal de efeitos há rabiscos por cima de fotos, composições com capas dos discos (destacando detalhes da imagem), roupas e elementos pintados, que buscam retratar como eram os objetos originalmente, etc.



Outro acerto da parte da pós-produção é a animação simples e extremamente funcional do logo do filme. Inspirado na obra "Bichos" de Lygia Clarck (acima) -artista que também influenciou o movimento tropicalista- eles usam sólidos geométricos que se movimentam para formar o nome do filme e as datas dos acontecimentos.




Fica, assim, a dica para vocês assistirem esse que certamente será um dos melhores usos da montagem que você terá acesso esse ano, seja no cinema nacional ou internacional. Independente de gostar ou não da música a que o filme se refere, o filme vale para qualquer interessado por cinema e história.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

À procura de Kogonada? - por Domênica Mantel


Ele ou ela, não se sabe…. Onde e como, não se sabe… Se ontem, se hoje…não se sabe.

Até o momento, tudo o que encontrei  foi uma página no Vimeo , um “@” um tanto lacônico no twitter, um tumblr sobre um projeto em andamento e literalmente milhares e milhares de “amigos internautas” que, via facebook, blogs e tudo quanto é rede social, inundaram a “rede mundial de computadores” com isso:
Em questão de minutos, a perspectiva foi deixada de lado em função do imediatismo. Muitos compartilharam, alguns entenderam mas, será que todos realmente viram?

Kogonada, assim como os cineastas que o/a influenciam parece se preocupar com a estética, sem menosprezar o conteúdo . Expõe seu trabalho numa linguagem em que sentidos milimetricamente sincronizados, se condensam na forma dos sons de Aronofski, da ironia contra o poder, de Tarantino, da delicadeza irônica de Wes Anderson e de tudo isso reunido, por meio dos pontos de fuga de um Kubrick sempre magistral. 

Sounds of Aronofsky from kogonada on Vimeo.

Tarantino // From Below from kogonada on Vimeo.

Wes Anderson // From Above from kogonada on Vimeo.

Não comparo, de forma alguma, o trabalho de Kogonada  ao de seus “homenageados”. O ponto aqui é o olhar atento, o estudo da linguagem, a sequência de cortes que nos direciona um mesmo caminho onde nenhum plano é gratuito. 

Que venham outros videos… Que nós nos treinemos para, independente deles, passarmos a realmente… enxergar e que o/a Kogonada não se revele. Acabaria maculando o verdadeiro foco. :)
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Domênica Mantel já falou aqui sobre a impressão digital do filmes, mantém o blog Tudo Fundido, faz pequenas reflexões em 140 caracteres em seu @Dodomlyns e a partir de Outubro escreverá novamente sobre todos os episódios da nova temporada de Dexter no blog Sobre TV.